Percepção da mudança climática: estratégias metodológicas para superação de barreiras sociais e psicológicas
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e240094Palavras-chave:
mudança climática, percepção, psicologia ambiental, estratégias metodológicas, grupo de pesquisaResumo
Descrevemos estratégias metodológicas empregadas em nossos estudos sobre a percepção da mudança climática, visando a contribuir para pesquisa e intervenção relacionadas ao engajamento individual e coletivo em ações de mitigação. A mudança climática é fenômeno muito complexo e eivado de incertezas. Por envolver dimensões planetárias, sua “legibilidade” é da ordem da comunicação social, e não da experiência direta, sofrendo influência da terminologia empregada para sua denominação. Apresentamos quatro tópicos a que temos nos dedicado, sempre utilizando a perspectiva multimetodológica: percepção e apropriação; escala espacial; escala temporal; e comunicação para o engajamento. Relatamos estudos realizados com crianças, adolescentes e adultos, usando combinações de técnicas como questionários, entrevistas semiestruturadas e grupos focais/ rodas de conversa, de cuja análise e interpretação pudemos extrair panoramas bem claros de resultados, que levaram em conta características culturais dos grupos investigados e incluíram vários dos conceitos presentes na literatura internacional da área.
Downloads
Referências
Adam, B., & Groves, C. (2007). Future matters: action, knowledge, ethics. Leiden: Brill.
Aksüt, P., Doğan, N., & Bahar, M. (2016). If you change yourself, the world changes: the effect of exhibition on preservice science teachers’ views about global climate change. Eurasia Journal of Mathematics, Science & Technology Education, 12(12), 2933-2947.
Andrade, A. J. P., Silva, N. M., Souza, C. R. (2014). As percepções sobre as variações e mudanças climáticas e as estratégias de adaptação dos agricultores familiares do Seridó potiguar. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 31, 77-96.
Barros, H. C. L. (2018). Posicionamento de adolescentes sobre mudanças climáticas e estilos de vida sustentáveis: (re)significando o planeta e o futuro? (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
Barros, H. C. L., & Pinheiro, J. Q. (2013). Dimensões psicológicas do aquecimento global conforme a visão de adolescentes brasileiros. Estudos de Psicologia, 18(2), 173-182.
Casagrande, A., Silva Júnior, P., & Mendonça, F. (2011). Mudanças climáticas e aquecimento global: controvérsias, incertezas e a divulgação científica. Revista Brasileira de Climatologia, 8, 30–44.
Cavalcanti, G. R. C. (2019). O papel das ONGs ambientalistas na comunicação das mudanças climáticas: um caminho para o engajamento? (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
Clayton, S., Devine-Wright, P., Stern, P., Whitmarsh, L., Carrico, A., Steg, L., & Bonnes, M. (2015). Psychological research and global climate change. Nature Climate Change, 5, 640-646.
Clayton, S., & Manning, C. (Orgs.). (2018). Psychology and climate change, human perception, impacts, and responses. Nova York: Academic.
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991). Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.
Corner, A. (2012). Science literacy and climate views. Nature Climate Change, 2, 710-711.
Costa Lima, G. F., & Layrargues, P. P. (2014). Mudanças climáticas, educação e meio ambiente: para além do Conservadorismo Dinâmico. Educar em Revista, 73-88.
Diniz, R. F. (2016). Permacultura como um estilo de vida sustentável: o olhar da psicologia ambiental. INTERthesis: Revista Internacional Interdisciplinar, 13(2), 106-118.
Doherty, T., & Clayton, S. (2011). The psychological impacts of global climate change. American Psychologist, 66(4), 265–276.
Dunlap, R. E. (1998). Lay perceptions of global risk – public views of global warming in crossnational context. International Sociology, 13(4), 473-498.
Falqueto, J., & Farias, J. (2016). Saturação teórica em pesquisas qualitativas: relato de uma experiência de aplicação em estudo na área de Administração. Investigación Cualitativa em Ciencias Sociales, 3, 560-569.
Farias, A. C. (2017). O olhar infantil: como crianças de duas escolas natalenses percebem as mudanças climáticas globais (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
Farias, A. C. (2022). O futuro importa: uma investigação exploratória da relação entre orientação de futuro e a percepção das mudanças climáticas (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.
Fioravanti, C. (2019). A progressiva destruição das praias brasileiras. Pesquisa Fapesp, (274), 62-65.
Fontanella, B. J. B., Ricas, J., & Turato, E. R. (2008). Amostragem por saturação em pesquisas qualitativas em saúde: contribuições teóricas. Cadernos de Saúde Pública, 24(1), 17-27.
Giddens, A. (2010). A política da mudança climática. Rio de Janeiro: Zahar.
Gifford, R. (2011). Psychological barriers that limit climate change mitigation and adaptation. American Psychologist, 66(4), 290-302.
Gifford, R., Scannell, L., Kormos, C., Smolova, L., Biel, A., Boncu, S., . . . Uzzell, D. (2009). Temporal pessimism and spatial optimism in environmental assessments: an 18-nation study. Journal of Environmental Psychology, 29, 1-12.
Günther, H., Elali, G. A., & Pinheiro, J. Q. (2008). A abordagem multimétodos em estudos pessoa-ambiente: características, definições e implicações. In J. Q. Pinheiro & H. Günther (Orgs.), Métodos de pesquisa nos estudos pessoa-ambiente (pp. 369-396). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Heft, H., & Chawla, L. (2005). Children as agents in sustainable development: the ecology of competence. In C. Spencer & M. Blades (Orgs.), Children and their environments – learning, using and designing spaces (pp. 199-216). Cambridge: Cambridge University Press.
IPCC. (2022). Working group III contribution to the sixth assessment report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, mitigation of climate change summary for policymakers (SPM). Cambridge: Cambridge University Press.
Jacobi, P. (2003). Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, 118, 189-205.
Kikstra, J. S., Nicholls, Z. R., Smith, C. J., Lewis, J., Lamboll, R. D., Byers, E., . . . Rogelj, J. (2022). The IPCC Sixth Assessment Report WGIII climate assessment of mitigation pathways: from emissions to global temperatures. Geoscientific Model Development, 15(24), 9075–9109.
Krenak, A. (2020). O amanhã não está à venda. São Paulo: Companhia das Letras.
Kuhnen, A., & Higuchi, M. I. G. (2011). Percepção Ambiental. In S. Cavalcanti& G. Elali (Orgs.), Temas Básicos de Psicologia Ambiental (pp. 250-266). Petrópolis: Vozes.
Lueck, M. A. (2007). Hope for a cause as cause for hope: the need for hope in environmental sociology. The American Sociologist, 38(3), 250-261.
Madeiros, C. (2024, 14 de abril). Brasil já tem clima árido em área superior ao estado de São Paulo, aponta estudo. Folha de São Paulo. Recuperado de https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2024/04/14/brasil-ja-tem-clima-arido-em-area-superior-ao-estado-de-sp-aponta-estudo.htm
Machado, I. S. (2015). Pessimismo da razão, otimismo da vontade: a Escola de Frankfurt, Gramsci e os desdobramentos teóricos de duas concepções críticas díspares. Sinais, 2(18), 69-91.
Manzo, K. (2010). Beyond polar bears? Re‐envisioning climate change. Meteorological applications, 17(2), 196-208.
Marengo, J. A. (2006). Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade: caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do século XXI. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente.
Marengo, J. A. (2014). O futuro clima do Brasil. Revista USP, (103), 25-32.
Marengo, J. A., & Souza Junior, C. (2018). Mudanças climáticas: impactos e cenários para a Amazônia. São Paulo: ALANA.
Marques Filho, L. C. (2019). Capitalismo e colapso ambiental (3a ed. revista e ampliada). Campinas: Unicamp.
McDonald, R. I., Chai, H. Y. & Newell, B. R. (2015). Personal experience and the ‘psychological distance’ of climate change: an integrative review. Journal of Environmental Psychology, 44, 109-118.
Milkoreit, M. (2016). The promise of climate fiction. Imagination, storytelling, and the politics of the future. In P. Wapner & H. Elver (Orgs), Reimagining climate change (pp. 171-191). Abingdon: Routledge.
Mitev, K., Player, L., Verfuerth, C., Westlake, S., & Whitmarsh, L. (2023). The implications of behavioural science for effective climate policy. Output 1: Literature Review and Background Report. Bath: Centre for Climate Change and Social Transformations.
Moser, G., & Uzzell, D. (2004). Psychology and the challenge of global environmental change. IHDP UPDATE, 4, 1-2.
Moser, S. C. (2010). Communicating climate change: history, challenges, process and future directions. Wiley Interdisciplinary Reviews: Climate Change, 1(1), 31-53.
Nielsen, K. S., Clayton, S., Stern, P. C., Dietz, T., Capstick, S., & Whitmarsh, L. (2021). How psychology can help limit climate change. American Psychologist, 76(1), 130.
Ojala, M. (2015). Hope in the face of climate change: associations with environmental engagement and student perceptions of teachers’ emotion communication style and future orientation. The Journal of Environmental Education, 46(3), 133-148.
O’Neill, S. J. (2008). An iconic approach to communicating climate change (Tese de Doutorado). School of Environmental Sciences, University of East Anglia, Reino Unido.
O’Neill, S., & Nicholson-Cole, S. (2009). “Fear won’t do it” : promoting positive engagement with climate change through visual and iconic representations. Science communication, 30(3), 355-379.
Oppenheimer, M., & Todorov, A. (2006). Global warming: the psychology of long-term risk [Guest Editorial]. Climate Change, 77, 1-6.
Pahl, S., Sheppard, S., Boomsma, C., & Groves, C. (2014). Perceptions of time in relation to climate change. WIREs Climate Change, 5, 375–388.
Patterson, A. H. (1977). Methodological developments in environment-behavioral research. In D. Stokols (Org.), Perspectives on environment and behavior – theory, research, and applications (pp. 325-344). Nova York: Plenum.
Pawlik, K. (1991). The psychology of global environmental change: some basic data and an agenda for cooperative international research. International Journal of Psychology, 26(5), 547-563.
Pawlik, K. (2004). Global change as heuristic challenge to Psychology. IHDP UPDATE, 4, 3.
Pinheiro, J. Q. (2018). A noção de escala e a experiência ambiental. In S. Cavalcante & G. A. Elali (Orgs.), Psicologia Ambiental: conceitos para a leitura da relação pessoa-ambiente (pp. 89-100). Petrópolis: Vozes.
Pinheiro, J. Q., Cavalcanti, G. R. C., & Barros, H. C. L. (2018). Mudanças climáticas globais: viés de percepção, tempo e espaço. Estudos de Psicologia (Natal), 23(3), 282-292.
Pinheiro, J. Q., & Corral-Verdugo, V. (2010). Time perspective and sustainable behavior. In V. Corral-Verdugo, C. H. García-Cadena, & M. Frías-Armenta (Orgs.), Psychological approaches to sustainability. Current trends in theory, research and applications (pp. 205 224). Hauppauge: Nova Science.
Pinheiro, J. Q., & Farias, A. C. (2015). In search of a positive framework for communications about global climate change. Psyecology, 6(2), 229-251.
Pivetta, M. (2015). Prevenir vale à pena. Pesquisa Fapesp, (238), 22-25.
Pivetta, M., & Fontanetto, R. (2024). O Brasil que seca. Pesquisa Fapesp, (338), 12-19.
Pol, E. (2002). The theoretical background of the city-identity-sustainability network. Environment and Behavior, 34(1), 8-25.
Polistchuk, I., & Trinta, A. R. (2003). Teorias da comunicação – o pensamento e a prática da Comunicação Social. Rio de Janeiro: Campus.
Ripple, W. J., Wolf, C., Gregg, J. W., Rockström, J., Newsome, T. M., Law, B. E., . . . King, D. A. (2023). The 2023 State of the Climate Report: entering uncharted territory. BioScience, 73(12), 841–850.
Sommer, R. B., & Sommer, B. (2002). A practical guide to behavioral research: tools and techniques (5a ed.). Oxford: Oxford University Press.
Steg, L. (2023). Psychology of Climate Change. Annual Review of Psychology, 74, 391-421.
Stebbins, R. A. (2001). Exploratory research in the Social Sciences. Thousand Oaks: Sage.
Stiglitz, J. E. (2019). Addressing climate change through price and non-price interventions. European Economic Review, 119, 594-612.
Sundblad, E., Biel, A., & Gärling, T. (2009). Knowledge and confidence in knowledge about climate change among experts, journalists, politicians, and laypersons. Environment and Behavior, 41, 281-302.
Swim, J., Clayton, S., Doherty, T., Gifford, R., Howard, G., Reser, J., . . . Weber, E. (2009). Psychology and global climate change: addressing a multi-faceted phenomenon and set of challenges. Washington: American Psychological Association.
Taddei, R. (2008). A comunicação social de informações sobre tempo e clima: o ponto de vista do usuário. Boletim SBMET, ago-dez, 76-86.
Uzzell, D. L. (2000). The psycho-spatial dimension to global environmental problems. Journal of Environmental Psychology, 20(4), 307-318.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Psicologia USP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo de Psicologia USP está licenciado sob uma Licença Creative Commons BY-NC, exceto onde identificado diferentemente.
A aprovação dos textos para publicação implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista Psicologia USP, que terá a exclusividade de publicá-los primeiramente.
A revista incentiva autores a divulgarem os pdfs com a versão final de seus artigos em seus sites pessoais e institucionais, desde que estes sejam sem fins lucrativos e/ou comerciais, mencionando a publicação original em Psicologia USP.
