A assinatura sonora como paradigma: ecologia, aparelho e criação eletroacústica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2447-7117.rt.2026.247895

Palavras-chave:

Assinatura sonora, música eletroacústica, composição imersiva, eletrônica em tempo real, acústica ecológica

Resumo

Este artigo propõe o conceito de assinatura sonora como um paradigma para repensar a composição eletroacústica contemporânea na interseção entre ecologia, filosofia e mediação tecnológica. Indo além do paradigma inicial do estúdio, centrado no objeto sonoro autônomo, o estudo argumenta que as práticas atuais – caracterizadas por eletrônica em tempo real, espacialização imersiva, integração audiovisual e sistemas orientados por inteligência artificial – privilegiam a organização relacional em vez de materiais sonoros isolados. A partir da teoria das paisagens sonoras ecológicas de Bernie Krause e do conceito de assinatura de Giorgio Agamben como operador paradigmático, o artigo reconceitua a composição como a construção e a revelação de campos sonoros relacionais. As assinaturas sonoras ecológicas emergem da distribuição dinâmica de nichos acústicos em sistemas vivos; de modo análogo, obras eletroacústicas geram ambientes estruturados nos quais a agência é distribuída entre intérpretes, algoritmos, sistemas espaciais e ouvintes. Esse arcabouço é examinado por meio da análise das obras audiovisuais imersivas Embracing Emptiness (2018/24), The Skin of the Earth: Fragments (2024) e da composição ambissônica Pune Metamorphosis (2022–23). Esses estudos de caso demonstram como o processamento eletroacústico em tempo real, a difusão espacial e os sistemas visuais orientados por IA constroem assinaturas sonoras como ecologias em evolução, em vez de formas fixas. Em cada obra, o aparato – seja o processamento de sinais em tempo real, a ambissonia de ordem superior ou as imagens baseadas em aprendizado de máquina – funciona não apenas como ferramenta, mas como um dispositivo epistemológico que molda as relações perceptivas. Ao posicionar a assinatura sonora como simultaneamente descritiva e produtiva, o artigo articula uma passagem do pensamento baseado no objeto para um pensamento baseado em sistemas na criação eletroacústica, situando a composição contemporânea em um horizonte ecológico e ético mais amplo.

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Biografia do Autor

  • Paulo C. Chagas, University of California, Riverside

    Paulo C. Chagas é um compositor internacionalmente reconhecido e Professor de Composição na University of California, Riverside, cuja obra estabelece pontes entre a criação artística e a pesquisa crítica em música eletroacústica e audiovisual. Sua pesquisa dialoga com a filosofia, a teoria dos sistemas, os estudos de mídia e os estudos do som, com ênfase em ambientes imersivos, assemblagens cognitivas e na epistemologia dos aparatos musicais. É autor de Unsayable Music (2014) e coeditor de Sounds from Within (2021), além de ter publicado amplamente sobre paradigmas eletroacústicos, composição intermídia e sistemas musicais orientados por inteligência artificial. Obteve o doutorado em Musicologia pela Université de Liège, após estudos em São Paulo, Liège e Colônia. Na década de 1990, atuou como diretor de som e compositor residente do Estúdio de Música Eletrônica da Rádio WDR, em Colônia, experiência que marcou profundamente suas perspectivas teóricas e composicionais. Seu catálogo reúne mais de 230 obras, incluindo composições orquestrais, de câmara, eletroacústicas, audiovisuais imersivas e telemáticas, frequentemente apresentadas em importantes festivais e conferências internacionais. Membro do conselho diretor da International Computer Music Association (ICMA), contribui ativamente para o debate global sobre música, tecnologia e criatividade. Seu trabalho recebeu diversas distinções, entre elas o Fulbright Research Award por sua residência em Berlim (2022–23), onde desenvolveu pesquisas sobre sistemas sonoros imersivos e espaciais.

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Publicado

2026-04-13

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Seção

Artigo

Como Citar

Chagas, P. C. (2026). A assinatura sonora como paradigma: ecologia, aparelho e criação eletroacústica. Revista Da Tulha, 12, e122604tPt. https://doi.org/10.11606/issn.2447-7117.rt.2026.247895