Onda negra: notas sobre o conceito de Performance Negra

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v25i1241273

Palavras-chave:

Performance negra, Geopolítica do conhecimento, Arte negra, Epistemologias afrorreferenciadas

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão teórica sobre o conceito de performance negra, a partir de uma perspectiva contracolonial e crítica da geopolítica do conhecimento. Metodologicamente, orienta-se pelo pensamento de Diana Taylor e Leda Maria Martins, que compreendem os estudos da performance como forma de produção de conhecimento. Neste debate, refletir sobre o conceito de performance negra é reconhecer um conjunto de ações artísticas, políticas e poéticas elaboradas por artistas que se autodeclaram pessoas negras (pretas e pardas) e cujas criações dialogam com questões étnico-raciais, colocando o corpo negro como lugar de produção de conhecimentos críticos sobre a sociedade brasileira.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Rodrigo Severo dos Santos, Universidade de São Paulo

    Professor, artista e pesquisador, atua nas interfaces entre teatro, performance e cena expandida. É professor adjunto da Escola de Teatro da UFBA, fundador da Coletiva Preta Performance, onde desenvolve práticas estéticas descolonizadas e antirracistas, e também integrante do Laboratório de Práticas Performativas da ECA/USP.

Referências

ABREU, L. A. B. A iminência do samba: análise do processo de criação da coreografia O Samba do Criolo Doido. 2016. 136 f. Dissertação (Mestrado em Artes) – Instituto de Artes, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2016.

BORGES, R. Agora é que são elas: pode a subalterna falar-escrever? Portal Gelédes, São Paulo, 2015. Disponível em: https://www.geledes.org.br/agora-e-que-sao-elas-pode-a-subalterna-falar-escrever/ Acesso em: 18 jan. 2020.

BHABHA, H. K. O local da cultura. Belo Horizonte: EdUFMG, 2013.

CÉSAIRE, A. Discurso sobre a negritude. Belo Horizonte: Nandyala, 2010.

CARLSON, M. Performance: uma introdução crítica. Belo Horizonte: EdUFMG, 2010.

CONDURU, R. Negros indícios: performance vídeo fotografia = Black índices: performance vídeo Photography. São Paulo: Espaço Donas Marcianas, 2017.

COLLINS, P. H. Pensamento feminista negro conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.

DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

FANON, F. Pele negra máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

FANON, F. Os condenados da terra. Lisboa: ULISSEIA limitada, 1961.

FAUSTINO, D. M. Por que Fanon? Por que agora?: Frantz Fanon e os fanonismos no Brasil. 2015. 260 f. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2015.

FÉRAL, J. Além dos limites: teoria e prática do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2015.

FELINTO, R. Entrevista com Renata Felinto. Entrevistador: Rodrigo Severo. São Paulo: 2017.

GROSFOGUEL, R. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 80, p. 115–147, 2008. Disponível em: https://journals.openedition.org/rccs/697 Acesso em: 20 mar. 2022.

GLUSBERG, J. A arte da performance. São Paulo: Perspectiva, 2011.

GOLDBERG, R. A arte da performance: do futurismo ao presente. São Paulo: Martins Fontes, 2015.

GONZALEZ, L. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio Janeiro: Zahar, 2020.

hooks, b. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.

MARTINS, L. M. Performance do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2022.

MUNANGA, K. Negritude e identidade negra ou afrodescendente: um racismo ao avesso? Revista da ABPN, Goiânia, v. 4, n. 8, p. 6–14, jul./out. 2012.

MELO, T. R. Entrevista com Tina Melo. Entrevistador: Rodrigo Severo. São Paulo: 2022.

MOMBAÇA, J. Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero anticolonial da violência. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2016.

MUSIDORA, A. Entrevista com Ana Musidora. Entrevistador: Rodrigo Severo. São Paulo: 2022.

MUNDURUKU, D. Mundurukando 2: sobre vivências, piolhos e afetos: roda de conversa com educadores. Lorena: Uk'a Editorial, 2017.

NASCIMENTO, M. B. Quilombo e intelectual: possibilidade nos dias da destruição. [S. l.]: Diáspora Africana; Filhos da África, 2018.

NOGUEIRA, B. I. Significações do corpo negro. 1998. Tese (Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

OBÁ, A. Entrevista com Antônio Obá. Entrevistador; Rodrigo Severo. São Paulo: 2019.

RATTS, A. Eu sou Atlântica: sobre a trajetória de ida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza/Imprensa Oficial, 2006.

REZENDE, P. R. Entrevista com Priscila Rezende. Entrevistador: Rodrigo Severo. São Paulo: 2017.

ROMÃO, L. Entrevista com Lucimélia Romão. Entrevistador: Rodrigo Severo. São Paulo: 2022.

SANTOS, G. A. A invenção do “ser negro”: um percurso das idéias que naturalizaram a inferioridade dos negros. São Paulo: Educ; Fapesp; Rio de janeiro: Pallas, 2002.

SANTOS, R. A. F. Conferência de abertura: existências negras em performatividade constante. In: VENTURELLI, C. M.et al. (org.). Resumos do 9º Seminário de Pesquisas em Andamento PPGAC/CAC/USP. São Paulo: PPGAC; CAC; ECA/USP, 2019.

TAYLOR, D. O arquivo e o repertório: performance e memória cultural nas Américas. Belo Horizonte: EdUFMG, 2013.

Downloads

Publicado

2026-02-28

Edição

Seção

DOSSIÊ A QUESTÃO DA PERFORMANCE COMO ÁREA NO BRASIL

Como Citar

Severo dos Santos, R. (2026). Onda negra: notas sobre o conceito de Performance Negra. Sala Preta, 25(1), p. 81-106. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v25i1241273