Dançando a revolução: corpos, estética e ideologia da China maoísta nos palcos brasileiros
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v25i2243693Palavras-chave:
dança, China, Guerra Fria, artes cênicas no Brasil, comunismoResumo
Este artigo examina os componentes coreográficos do espetáculo Ópera de Pequim – Teatro Clássico da China, apresentado no Brasil em 1956, com o objetivo de compreender a sua configuração como um produto artístico da República Popular da China em seus anos formativos. Partindo de um panorama sobre o campo da dança na gênese da nova nação, a análise evidencia como as formas e temáticas apresentadas ao público brasileiro refletiam processos de reestruturação estética e ideológica então promovidos pelo regime maoísta. Ao situar a atração no contexto mais amplo da Guerra Fria, argumenta-se que sua singularidade não se resume à quebra do predomínio europeu nos intercâmbios cênicos brasileiros, mas se aprofunda quando a lógica interna de sua elaboração é desvelada. O intuito é, pois, iluminar as imbricações entre política cultural, diplomacia e recepção estética, contribuindo também para matizar a compreensão dos palcos brasileiros na década de 1950.
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