Fronteiras perdidas: desafios aos pressupostos (ainda) filológicos dos estudos da cultura pelas diásporas negras em Portugal e na Alemanha
DOI:
https://doi.org/10.11606/va.v26.n1.2025.207008Palavras-chave:
filologia, literatura afrodescendente, Portugal, AlemanhaResumo
Apesar da superação, já com pelo menos três décadas, da conceção moderna das identidades pela teoria pós-moderna e construtivista, bem como pelos estudos pós-coloniais, os estudos literários e culturais ainda estão presos a conceitos filológicos de cultura baseados na associação a uma língua e a fronteiras nacionais. Isto não só representa uma contradição com a teoria, como também se revela inadequado para lidar com os desafios particularmente visíveis na literatura das diásporas negras. Com base nalguns exemplos de Portugal e da Alemanha, este artigo aponta desafios que devemos enfrentar urgentemente para desfazer o viés de poder que a perspetiva filológica ainda cria.
Downloads
Referências
AGUALUSA, José Eduardo. Fronteiras Perdidas: Contos para Viajar. Lisboa: Quetzal, 2017 [1ª ed. 1999]
ANDERSON, Benedict. Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism. London: Verso, 1983.
AYDEMIR, Fatma e YAGHOOBIFARAH, Hengameh (org.). Eure Heimat ist unser Albtraum. Berlin: Ullstein, 2019.
EL-TAYEB, Fatima. European Others. Queering Ethnicity in Postnational Europe. Minneapolis: University of Minnesota Press, 201.
EPALANGA, Kalaf. Também os brancos sabem dançar. Um romance musical. Lisboa: Caminho, 2017.
GEARY, Patrick. The myth of nations. The Medieval Origins of Europe. Princeton: Princeton UP, 2002.
HALL, Stuart. The Question of Cultural Identity. In: HALL, S. et al. (Org.). Modernity and its Futures. London: Polity Press, 1992, p. 273−325.
KINDER, Katja. 20 Jahre Schwarze (Frauen) Bewegung in Deutschland. In: Heinrich Böll Stiftung Heimatkunde. Migrationspolitisches Portal (Org.). Dossier Schwarze Community in Deutschland (2006), https://heimatkunde.boell.de/2006/05/01/20-jahre-schwarze-frauen-bewegung-deutschland. Acesso em 23.09.2022.
MAALOUF, Amin. As identidades assassinas. Trad. Susana Serras Pereira. Lisboa: Difel, 2009 [1ª ed. 1998]
MARTINS, Catarina. Gegen den deutschen Spiegel schreiben. Selbstbilder schwarzer Frauen in Deutschland. In: VON HOFF, Dagmar et al (Org.). Einschnitte - Signaturen der Gewalt in textorientierten Medien. Würzburg: Könnigshausen & Neumann, 2016, p. 113-132.
MONTEIRO, Yara Nakahanda. Memórias. Aparições. Arritmias. Lisboa: Companhia das Letras, 2021.
OTOO, Sharon Dodua. Adas Raum. Frankfurt a.M.: Fischer, 2021.
RAMALHO, Maria Irene; RIBEIRO, António Sousa. Dos estudos literários aos estudos culturais?, Revista Crítica de Ciências Sociais. 52/53, 1998/1999, p.61-83.
RIBEIRO, António S. A Retórica dos Limites. Notas sobre o Conceito de Fronteira. In: SANTOS, B. S. (Org.), Globalização: Fatalidade ou Utopia?. Porto: Afrontamento, 2001, p. 463 - 488.
ROTHBERG, Michael. Multidirectional Memory: Remembering the Holocaust in the Age of Decolonization. Stanford: Stanford UP, 2009.
SAID, Edward. Culture and Imperialism. London: Vintage, 1994.
SOUSA, Mário Lúcio. Manifesto a Crioulização. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2021.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Catarina Martins

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).









