Protagonismo feminino negro e escrevivência na obra Vermelho, de Maria Tereza
DOI:
https://doi.org/10.11606/va.i2.209026Palavras-chave:
escrivivência , autoria feminina negra, literatura afro-brasileira para a infância, livro ilustradoResumo
Este artigo visa analisar o protagonismo feminino negro como forma de resistência na literatura para a infância, tendo como objeto de estudo o livro Vermelho, da poeta e compositora negra Maria Tereza. Com base no conceito afrodiaspórico da escrevivência de Conceição Evaristo, busca-se evidenciar como a voz do eu lírico feminino negro ecoa nos versos e imagens do livro ilustrado, produzindo uma estética antagônica aos padrões brancos, patriarcais e etários. Argumenta-se que a obra traz três elementos que rompem com a tradição literária brasileira para a infância, ainda marcada pela colonialidade e pelo racismo estrutural, valorizando a negritude e os laços ancestrais entre mãe e filha.
Downloads
Referências
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
ALMEIDA, Tatyane Andrade; BELMIRO, Célia Abicalil. Literatura infantil e multimodalidade: o papel dos paratextos no livro ilustrado. Pesquisas em Discurso Pedagógico, n. 1, 2016. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/26740/26740.PDF . Acesso em: 01 fev. 2023.
ANZALDUA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Estudos feministas, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000.
ARAÚJO, Débora Oyayomi. Caminhos trilhados pelas personagens negras na literatura infantil brasileira: percalços e percursos. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/artigos/artigos-teorico-criticos/1082-debora-oyayomi-araujo-caminhos-trilhados-pelas-personagens-negras-na-literatura-infantil-brasileira-percalcos-e-percursos. Acesso em: 20 dez. 2022.
ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Editora Guanabara. 1978.
CADEMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil?. São Paulo: Brasiliense, 1986.
CAETANO, Janaína Oliveira; GOMES, Suzete Araujo Oliveira; CASTRO, Helena Carla. Da marginalização à centralidade: a importância da representatividade negra na literatura infantojuvenil. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 17, p. 1-22, 2022. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/18418. Acesso em: 13 fev. 2023
CAMARGO, L. Ilustração em livros de literatura infantil. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Faculdade de Educação (FaE). Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale). Glossário Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte, 2014a. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/letramento-literario. Acesso em: 13 fev. 2023
CANDIDO, Antonio. O direito à literatura: vários escritos. 3.ed. São Paulo: Duas cidades, 1995.
CAPUTO, Stela Guedes. Ogan, adósu, òjè, ègbónmi e ekedi - O candomblé também está na escola. Mas como?. In: BARBOSA, Antônio Flávio; CANDAU, Vera Maria. (Org.). Multiculturalismo, diferenças culturais e práticas pedagógicas. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 149-181.
CARREIRA, Rosangela; CHAVES, Ramon. Análise do discurso e lugares do dizer “topoi e tropismos em tempos de resistência política: o caso Georg Floyd. Revista Latinoamericana De Estudios Del Discurso, v. 20, n. 2, 133–155, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.35956/v.20.n2.2020.p.133-155. Acesso em 19 dez. 2022.
DALCASTAGNÈ, Regina. A personagem negra na literatura brasileira contemporânea. In: DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares (Org.) Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
DEBUS, E. A literatura angolana para crianças. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1129-1145, out./dez. 2013.
DEBUS, E. A temática da cultura africana e afro-brasileira na literatura para crianças e jovens. Florianópolis: NUP/CED/UFSC, 2017.
DEBUS, Eliane. A escravização africana na literatura infanto-juvenil: lendo dois títulos. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 1, p. 141-156, Jan/Abr 2012. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org/vol12iss1articles/debus.htm. Acesso em: 13 fev. 2023.
DUARTE, E.A. Literatura afro-brasileira: um conceito em construção. Estudos de literatura Brasileira Contemporânea, n.31. Brasília, DF, p.11-23, jan./jun. 2008.
EVARISTO, C. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (orgs). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020b. p. 48-57.
EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (orgs). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020a. p. 26-45.
FITTIPALD, Ciça. O que é uma imagem narrativa? In: OLIVEIRA, Ieda de (Orgs.). O que é qualidade em ilustração infantil e juvenil: com a palavra o ilustrador. São Paulo: DCL, 2008.
GOMES, Nilma. Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. pp. 43-57.
GOUVÊA, M. C. S. Imagens do negro na literatura infantil brasileira: análise historiográfica. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 1, p. 77-89, jan./abr. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/hZmCNP5MtfGB3CDvRbM8nFF/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 13 fev. 2023.
HILLESHEIM, Betina. Por uma literatura menor: produção literária para a infância. In: Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v. 16, n. 2, p. 38-50, 2008.
HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Introdução. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. pp. 12-39.
IANNI, O. Literatura e consciência. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, [S. l.], n. 28, p. 91-99, 1988. DOI: 10.11606/issn.2316-901X.v0i28p91-99. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/70034. Acesso em: 15 dez. 2023.
JESUS, Fabiana Oliveira. Maria Tereza: um corposolo em ruídos e negrices. SCRIPTA, v. 24, n. 52, p. 403-424, 3º quadrimestre de 2020.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó. 2019.
KRESS, Gunther.; BEZEMER, Charles. Escribirenun mundo de representación multimodal. In: KALMAN, Jude.; STREET, Brian. (Org). Lectura, Escritura y Matemáticas como prácticas sociales: Diálogos desde los Estudios Latinoamericanos sobre Cultura Escrita. México: Siglo XXI, CREFAL (Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe), 2000.
LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Escrever para crianças e fazer literatura. In:
LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira: histórias & histórias. 2. ed. São Paulo: Ática, 1985.
LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira: uma nova / outra história. Curitiba: PUCPress; FTD, 2017.
LINDEN, Sophie Van der. Para ler o livro ilustrado. São Paulo: Sesi-SP, 2018.
MAYER, Bel Santos; GOMES, Luciana. Abrindo veredas para ver e ler além do espelho: um estudo sobre a recepção da mitologia dos orixás afro-brasileiros por crianças. In: TAVARES, Cristiane; WEISZ, Telma (orgs). Literatura e Educação. Porto Alegre, RS: Zouk, 2021.
MIGNOLO, Walter. A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 33-49.
MOTTA, Islene; LIS, Ludmila. Publicações e fortuna crítica. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (orgs). Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020a. p. 262-270.
NIKOLAJEVA, Maria; CAROLE, Scott. Livro ilustrado: palavras e imagens. Trad. Cid Knipel. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
OLIVEIRA, Luiz Fernandes; CANDAU, Vera Maria Ferrão. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educação em revista, v. 26, n. 1, Abr 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-46982010000100002 Acesso em:13 fev. 2023.
OLIVEIRA, Maria Anória de Jesus. Educação, Literatura infanto-juvenil e relações étnico-raciais. Cadernos Imbondeiro. João Pessoa, v.4, n.2, dez.2015.
QUEIROZ, Fernanda Roberta Rodrigues; BUZAN, Thales Nascimento. Caminhos da literatura infantil escrita por mulheres. Ipotesi, Juiz de Fora, v. 23, n. 2, p. 159-169, jul./dez. 2019.
QUIJANO, Aníbal. Colinialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 107-130.
RAMOS, A. M. Desafios da leitura do livro ilustrado pós-moderno: Formar melhores leitores cada vez mais cedo. Sede de Ler, v. 5, n. 1, p. 5-8, 21 out. 2020.
RIBEIRO, Bruna D’Carlo Rodrigues de Oliveira. Imersão, costuras e enfrentamento: sobrevoo no percurso da construção do conhecimento estético corpóreo no projeto anjos d’rua. Licere – Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer – UFMG, v. 24, n. 4. Pp. 35-65, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/licere/article/view/37710. Acesso em: 01 fev. 2023.
ROSEMBERG, Fúlvia; SILVA, Paulo Vinicius B. Racismo em livros didáticos brasileiros e seu combate: uma revisão da literatura. Educação e Pesquisa, v.29, n.1, p.125-146, 2003.
SANTOS, Cristina Mielczarski dos. A fenda na conspiração do silencia: vozes femininas nas literaturas africanas. In: TETTAMANZY, Ana Lúcia; SANTOS, Cristina Mielczarski. (orgs). Lugares de fala, lugares de escuta: nas literaturas africanas, ameríndias e brasileira.. Porto Alegre: Editora Zouk, 2018.
SCHMIDT, Aline Van Der. Entre, coelhos, tranças e guerras: dilemas contemporâneos na literatura infantil de Angola de Ondjaki. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014.
SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES (Online), v. 18, p. 1-5, 2012. Disponível em: https://journals.openedition.org/eces/1533 . Acesso em: 21 dez. 2022.
SILVA, Santuza Amorim. FREITAS, Daniela Amaral Silva. Representações dos negros na literatura infantil e juvenil. Revista de Educação da Puc-Campinas, v. 21, n. 3, pp 311-322, set/dez, 2016.
TANUS, Gustavo; TANUS, Gabrielle Carvalho. Onde estão os autores e autoras negras? DIACRÍTICA, v. 34, n.º 2, pp. 249–263, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.21814/diacritica.528. Acesso em: 13 fev. 2023.
TEREZA, Maria. Negrices em Flor. São Paulo: Edições Toró, 2007.
TEREZA, Maria. Vermelho. São Paulo: Editora 34, 2009.
TODOROV, Tzevetan. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.
WALSH, Catherine. In: WALSH, Catherine. Pensamiento critic y matriz colonial. Quito: UASB-Abya Yala, 2005.
WALSH, Catherine. Son posibiles unas ciencias sociales/culturales otras? Reflexiones en torno a las epistemologías decoloniales. Nómadas, Colombia, v.26, p.102-113, 2007.
ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na escola. 11. ed. Revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Global, 2003.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Patrícia Barros Soares Batista, Maria Carolina da Silva Caldeira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).









