Angolas entre literatura, história e memória: uma leitura de Luanda em Se o passado não tivesse asas, de Pepetela
DOI:
https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.223577Palavras-chave:
Angola, Se o passado não tivesse asas, Pepetela , história, memóriaResumo
A literatura como terreno fértil para abordagens interdisciplinares propicia estudos como este que propõe uma reflexão sobre ela e sua relação com a História, a memória (individual e coletiva) e identidades no romance contemporâneo Se o passado não tivesse asas (2017), do escritor angolano Pepetela. Para isso, verificamos como nessa narrativa a escrita histórica e memorialística, são descortinadas e descentralizadas pelo autor no desenrolar da trama na cidade de Luanda. Ademais, a História e a memória, como partes orgânicas do romance pepeteliano, são duplamente investigadas: primeiro para contextualizar Angola no espaço/tempo privilegiado na narrativa, o período da guerra civil, na década de 1990, quando acompanhamos a trajetória da personagem Himba do interior de Angola até a capital; e, segundo, para discutir o romance, enquanto lugar de memória ao tratar a personagem como historiadora de si mesmo e de lugares de memória ao percorrer espaços e tempos distintos. Logo, para a realização desta pesquisa, por ser uma pesquisa básica, de cunho bibliográfico comparativo, recorremos às reflexões críticas de Linda Hutcheon (1992), Hayden White (1992), Inocência Mata (2012; 2015), Solival Menezes (2000), Rita Chaves (2004; 2006), Tânia Macêdo (2002; 2006; 2008), Pierre Nora (1993), Maurice Halbwachs (2006), Paul Ricoeur (2007), somente para citar alguns.
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