Ritos de passagem: cerimônia, alquimia e iniciação pelas etapas da vida em Ana Paula Tavares
DOI:
https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.224664Palavras-chave:
literatura angolana, Ana Paula Tavares, Ritos de Passagem, alquimia, metáfora dos frutosResumo
Este trabalho pretende investigar sobre o tema da poesia, memória e imagem ritualística e alquímica em Ana Paula Tavares e, em especial na obra Ritos de passagem, sua primeira obra publicada, ocorrida no ano de 1985. Neste livro, encontra-se um eu-lírico que dialoga sobre seu ritual de existência utilizando temas que versam desde o nascimento a morte, da infância ao mundo das descobertas, da puberdade a vida em transição e fases ritualísticas; da liberdade de escolha da mulher e da traição enquanto elemento dissonante na relação conjugal. Tavares propõe falar sobre a linguagem da mulher, suas vivências, seu prazer e experiências inseridas no contexto sociocultural, bem como resultado desse discurso feminino pauta-se naquilo que o eu-lírico enuncia nos poemas, ou seja, memórias que coexistem associadas ao plano metalinguístico, semiótico (aspecto verbal e não verbal do signo) e de construção e criação poética e, além disso, propõe tecer relações paradoxais instituídas pela dicotomia do claro enigma, da luz e sombra, da vida e morte, em suma, de pontos engendrados na relação social que favorecem na metamorfose e transformação do indivíduo no âmbito coletivo. Considerando esse horizonte, este estudo intenta investigar o liame dos Ritos de passagem com as estruturas do imaginário ritualístico e alquímico, bem como os alquimistas procuravam a transmutação dos metais vis para que o homem alcançasse a iluminação, a pedra filosofal, ou seja, o eu-lírico empreende uma busca ontológica, entrelaçando o poético ao simbolismo ritual e alquímico, com intuito de desvendar, tal como no processo da alquimia, a epifania e encontro do eu consigo mesmo, que acontece imbricado à metáfora dos frutos proposta pela escritora, pois revelam uma condição feminina de liberdade, aprendizagem e transgressão diante do discurso patriarcal. Para tanto, utilizaremos autores como: José Luandino Vieira (2014), Arnold Van Gennep (2011), Norbert Elias (1994), dentre outros.
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