As Naus, de António Lobo Antunes: Camões épico depois do fim do Império
DOI:
https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.230207Palavras-chave:
Romance histórico português contemporâneo, As naus, Camões épico, descolonização, fim do impérioResumo
O artigo investiga o romance As naus (1988), de António Lobo Antunes (1942), destacando a composição literária controversa do bardo maior da nossa língua, nos 500 anos de Luís de Camões e nos 50 anos da Revolução dos Cravos. Aborda, primeiramente, algumas premissas crítico-teóricas do romance e do romance histórico na atualidade em Portugal, em consonância com as transformações estéticas e ideológicas resultantes do cenário revolucionário pós-25 de abril. Em seguida, considera a recriação romanesca da personalidade notável do referido Épico como uma personagem ficcional rebaixada pelas circunstâncias adversas da descolonização (fim do império), transfigurando o vate máximo da lusitanidade em um típico retornado a uma Lisboa irreconhecível.
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