Viver e morrer, gerar e matar: entrelaçando gênero, classe e raça em “Quantos filhos natalina teve?”, de Conceição Evaristo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i1.206928

Palavras-chave:

gênero, classe, raça, maternidade negra

Resumo

No conto “Quantos filhos Natalina teve?”, presente na obra Olhos d’água (2016), Conceição Evaristo entrelaça questões de gênero, classe, raça e etnia ao abordar as temáticas da maternidade e do estupro vivenciados pela mulher negra. A narrativa expressa o rompimento do mito mulher-maternidade-natureza e da constituição da família nuclear como condição sine qua non para a felicidade de uma mulher – ambas noções instituídas pelo gênero. Reconhecer a ocorrência interseccional das opressões de gênero, etnia, raça e classe para se pensar a maternidade negra nos possibilita desconstruir a lógica da violência racial, que está fundamentada nos sentidos da colonização.

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Biografia do Autor

  • Amanda Nunes do Amaral, Universidade Federal de Goiás

    Doutora em Letras e Linguística, pela Universidade Federal de Goiás (2023), tendo mudado de nível de mestrado para Doutorado direto, sem defesa de mestrado; Especialista em Estudos Literários e Ensino de Literatura, pela Universidade Federal de Goiás (2020) e Graduada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Federal de Goiás (2018). Possui Licenciatura em Letras (2024). Suas pesquisas têm como objetos de interesse a Literatura Contemporânea Brasileira e os Estudos Culturais, com enfoque na Literatura Negro Brasileira, nos estudos de gênero, raça, sexualidade, femininismos e, sobretudo, nos estudos de interseccionalidade. 

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Publicado

24-12-2025

Como Citar

AMARAL, Amanda Nunes do. Viver e morrer, gerar e matar: entrelaçando gênero, classe e raça em “Quantos filhos natalina teve?”, de Conceição Evaristo. Via Atlântica, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 282–294, 2025. DOI: 10.11606/va.i1.206928. Disponível em: https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/206928. Acesso em: 25 fev. 2026.