Memória e intertextualidade no pós-colonialismo: uma leitura de Nós Chorámos pelo Cão Tinhoso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222874

Palavras-chave:

Cão Tinhoso, Ondjaki, memória, literatura pós-colonial

Resumo

Numa relação intertextual com Nós Matámos o Cão Tinhoso, Nós Chorámos pelo Cão Tinhoso reproduz um episódio da leitura emocionante do conto moçambicano na aula de português num Angola pós-colonial. Verifica-se uma memória colonial moçambicana encaixada na memória pós-colonial angolana. O presente artigo tem como objetivo estudar a estória Nós Chorámos pelo Cão Tinhoso de Ondjaki a partir da intertextualidade com o conto Nós Matámos o Cão Tinhoso de Luís Bernardo Honwana, tentando descobrir como a reescrita ondjakiana desenvolve novas significações em diálogo com o conto original. No âmbito do pós-colonialismo, a questão da memória coletiva da dominação colonial como um discurso interventivo anticolonialista também será abordada.

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Biografia do Autor

  • Dapeng Sang, Macao Polytechnic University

    Doutorando em Estudos Literários da Universidade de Aveiro e mestre em Estudos de Tradução pela Universidade de Macau.  É atualmente leitor do Curso de Licenciatura em Português e Curso de Licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês-Português da Universidade Politécnica de Macau.

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Publicado

2025-12-24

Edição

Seção

Dossiê 47: Angola: acervo, memória e literatura

Como Citar

SANG, Dapeng. Memória e intertextualidade no pós-colonialismo: uma leitura de Nós Chorámos pelo Cão Tinhoso. Via Atlântica, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 104–117, 2025. DOI: 10.11606/va.v26.n2.2025.222874. Disponível em: https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/222874. Acesso em: 10 fev. 2026.