Identidades em fluxo: novas representações da africanidade no romance Também os Brancos Sabem Dançar, de Kalaf Epalanga

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222884

Palavras-chave:

literatura contemporânea lusófona, pós-colonialismo, colonialidade, autoficção

Resumo

O artigo propõe uma análise do romance Também os brancos sabem dançar (2018), do angolano Kalaf Epalanga, como produto artístico-literário de uma reflexão histórica e identitária acerca de verdades definidas segundo uma dicotomia colonial entre tradição e modernidade, cultura autóctone e cultura ocidental. Kalaf é representante de uma geração angolana nascida em tempos de independência, em meio a uma guerra civil, testemunha de uma desilusão quanto ao projeto da nação sonhada durante o período de luta colonial. É também – e talvez por isso – de uma geração que retomou contatos com Portugal e o Ocidente, que se entendeu também parte de um projeto globalista, sobretudo a partir da popularização das novas tecnologias digitais, e que, uma vez em Lisboa, conheceu uma face da vida lisboeta que é o retrato de uma experiência diaspórica. O romance, sendo o produto de todas essas reflexões e vivências, é um retrato de um novo tempo angolano e suas repensadas representações culturais.

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Biografia do Autor

  • Marcelo Brandão Mattos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Professor Adjunto de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e de Literatura Portuguesa na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutor em Letras, com ênfase em Estudos Culturais, pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de língua portuguesa, também pela UFF. Na mesma instituição, graduou-se em Letras (Português/ Literaturas) e em Comunicação Social (habilitação em cinema e linguagens audiovisuais).

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Publicado

2025-12-24

Edição

Seção

Dossiê 47: Angola: acervo, memória e literatura

Como Citar

MATTOS, Marcelo Brandão. Identidades em fluxo: novas representações da africanidade no romance Também os Brancos Sabem Dançar, de Kalaf Epalanga. Via Atlântica, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 135–150, 2025. DOI: 10.11606/va.v26.n2.2025.222884. Disponível em: https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/222884. Acesso em: 9 fev. 2026.