Língua sedenta: palavra e corpo em Albricia de Soledad Fariña

Autores

  • Maurício da Silva Reis Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2447-9748.v5i2p%25p

Palavras-chave:

Soledad Fariña, Poesia chilena, Corpo, Erotismo

Resumo

A ideia principal deste texto é analisar alguns poemas da parte inicial de Albricia (1988), segundo livro da poeta chilena Soledad Fariña. O trabalho tem como fundamentação a ideia de que o sujeito lírico, ao explorar a própria língua, tanto em sua dimensão orgânica quanto linguística, busca estabelecer uma conexão com um corpo outro, uma língua outra, marcada por uma condição pré-originária e de força poética criadora. Para que esse contato se efetive, o eu poético passa por transformações corporais, envolvendo a abertura do próprio corpo, o cruzamento com o mundo vegetal e mineral, e a dissolução dos limites entre o humano e o não humano. A leitura propõe que essa aproximação com a linguagem outra se dá por meio de uma experiência erótica, entendida não apenas como temática, mas como estrutura do poema. A poesia se configura, assim, como um espaço de reinvenção do corpo e da linguagem, onde os limites entre sujeito e objeto se desfazem.

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Reis, M. da S. (2025). Língua sedenta: palavra e corpo em Albricia de Soledad Fariña. Revista Entrecaminos, 5(2), 9-31. https://doi.org/10.11606/issn.2447-9748.v5i2p%p