A representação da mulher que resiste à ditadura no cinema contemporâneo: uma análise dos filmes A memória que me contam (2012) e Hoje (2013)
DOI:
https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238000Palavras-chave:
Cinema, Ditadura, Mulher, RepresentaçãoResumo
Este artigo observa o cinema como um instrumento comunicacional de valor historiográfico e, portanto, analisa não só o material textual dos filmes A memória que me contam (2012) e Hoje (2013) como também o contexto em que foram produzidos seguindo o modelo do circuito comunicacional proposto por Américo e Villela (2013). O objetivo é compreender como a mulher que resistiu à ditadura militar de 1964 é representada pelo cinema contemporâneo. E através da análise das sequências desses dois filmes nota-se características em comum na representação das figuras femininas que os protagonizam. Entende-se que essa personagem é representada como uma sobrevivente, como receptáculo da memória do ocorrido durante o regime, o qual se configura em forma de trauma e sofrimento. Também é uma figura na qual a condição feminina, como vista pela época nos parâmetros patriarcais, precisa ser descartada como forma de empoderamento ou será tida como transgressão passível de punição.
Downloads
Referências
ALVES, Douglas Moreira. História, Cinema e Memória. In: Congresso Internacional de História, 8., 2017. Anais […]. Maringá, PR: UEM, 2017. p. 2343-2351. Disponível em: http://www.cih.uem.br/anais/2017/trabalhos/3922.pdf. Acesso: 27 de out. de 2025.
AMARAL, Tata. Tata Amaral: “No Brasil, aceitamos a violação dos direitos humanos”. Entrevista concedida à Tiago Faria. Veja São Paulo, 2013. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/entrevista-tata-amaral-hoje-cinema/. Acesso: 27 de out. de 2025.
A MEMÓRIA que me contam, um filme de Lúcia Murat. Taiga Filmes, 2012. Disponível em: http://www.taigafilmes.com/memoria/memorias+a-memoria-que-me-contam.htm. Acesso em: 19 maio 2025.
A MEMÓRIA que me contam. Direção: Lúcia Murat. Produção: Lúcia Murat. Intérpretes: Irene Ravache; Simone Spoladore; Clarisse Abujamra; Hamilton Vaz Pereira; Mario José Paz; Miguel Thiré; Patrick Sampaio; Juliana Helcer. Roteiro: Lúcia Murat, Tatiana Salem Levy. Brasil: Taiga Filmes; Imovision, 2012. (100 min), color.
AMÉRICO, Guilherme de Almeida; VILLELA, Lucas Braga Rangel. Circuito comunicacional: o cinema na perspectiva da história social. Revista de Teoria da História, Goiás, v. 5, n. 10, dez. 2013. Disponível em: https://revistas.ufg.br/teoria/article/view/29095. Acesso em: 10 maio 2025.
BARROS, José d’Assunção. Cinema e história: as funções do cinema como agente, fonte e representação da história. Ler História, Portugal, n. 57, 2007. Disponível em: https://journals.openedition.org/lerhistoria/2547. Acesso em: 18 maio 2025.
BONSANTO, André. A verdade dita é dura: jornalismo, história e ditadura militar no Brasil: do golpe de 1964 à Comissão Nacional da Verdade. São Paulo: Dialética, 2021.
CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados, São Paulo, v. 11, n. 5, p. 173-191, 1991. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/SZqvSMJDBVJTXqNg96xx6dM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 1 jul. 2025.
COLLING, Ana Maria. As mulheres e a ditadura no Brasil. História em Revista, Pelotas, v. 10, n. 10, mar. de 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/11605. Acesso em: 20 maio 2025.
DAVSON, Felipe Pereira da Silva. O cinema como fonte histórica e como representação social: alguns apontamentos. História Unicap, Pernambuco, v. 4, n. 8, 2017. Disponível em: https://www1.unicap.br/ojs/index.php/historia/article/view/961. Acesso em: 10 maio 2025.
GIANORDOLI-NASCIMENTO, Ingrid Faria; TRINDADE, Zeide Araújo; SANTOS, Maria de Fátima de Souza. Mulheres brasileiras e militância política durante a ditadura militar: a complexa dinâmica dos processos identitários. Revista Interamericana de Psicologia, Rio Grande do Sul, v. 41, n. 3, p. 359-370, 2007. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/284/28441311.pdf. Acesso em: 20 maio 2025.
HOJE. Direção: Tata Amaral. Produção: Caru Alves de Souza, Tata Amaral. Intérpretes: Denise Fraga, Cesar Troncoso, João Baldasserini, Pedro Abhull, Lorena Lobato, Cláudia Assunção. Roteiro: Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald. São Paulo: Tangerina Entretenimento e Primo Filmes; H2O Films, 2011. (90 min), color.
LÚCIA Murat apresenta “A memória que me contam” e elogia o trabalho dos novos diretores. Portal Uai, 2013. Disponível em: https://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2013/01/21/noticias-cinema,139743/lucia-murat-apresenta-a-memoria-que-me-contam-e-elogia-o-trabalho-dos-novos-diretores.shtml. Acesso em: 12 maio 2025.
MAIORIA de mortos e desaparecidos na ditadura era estudante, jovem, ligada a organizações políticas e vivia em capitais, mostra análise inédita”. Gov.br, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/marco/maioria-de-mortos-e-desaparecidos-na-ditadura-era-estudante-jovem-ligada-a-organizacoes-politicas-e-vivia-em-capitais-mostra-analise-inedita. Acesso em: 10 de maio de 2025.
MOSTRA de cinema homenageia diretora que resistiu à ditadura. Agência Brasil, 2014. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-11/mostra-de-cinema-homenageia-diretora-que-resistiu-a-ditadura. Acesso em: 12 maio 2024.
PAULA: a história de uma subversiva. Direção: Francisco Ramalho Júnior. Produção: José Luis Ferreira; Billy Menzil; Roberto Bianchi. Intérpretes: Walter Marins; Armando Bogus; Marlene França; Regina Braga; Carina Cooper; Helber Rangel. Roteiro: Francisco Ramalho Jr. São Paulo: Oca Cinematográfica Ltda.; Empresa Brasileira de Filmes S.A., 1979. (102 min), color.
PIMENTEL, César Pessoa. Clínica do trauma e narrativa do sofrimento. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 26, n. esp., p. 535-550, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fractal/a/c8MrcqTXYkPqGXZMvYzgNcm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 maio 2025.
SILVA, Pedro P. Memória e representação no filme Paula, a história de uma subversiva (Francisco Ramalho Jr., 1980). In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA CULTURAL, 10., 2022. Anais […]. Rio Grande do Norte: UFRN, 2022. Disponível em: https://gthistoriacultural.com.br/anais/Xsimposio/30%20-%20MEMORIA%20E%20REPRESENTACAO%20NO%20FILME%20PAULA.pdf. Acesso: 23 maio 2025.
SUCESSO é espada pairando sobre nossas cabeças, diz Irene Ravache. G1, 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/06/sucesso-e-espada-pairando-sobre-nossas-cabecas-diz-irene-ravache.html. Acesso: 12 maio 2025.
TELES, M. A. de A. O protagonismo de mulheres na luta contra a ditadura militar. Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos, São Paulo, v. 2, n. 2, 2014. Disponível em: https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/173. Acesso: 8 maio 2025.
WOITOWICZ, Karina Janz. A resistência das mulheres na ditadura militar brasileira: imprensa feminista e práticas de ativismo. Estudos em Jornalismo e Mídia, Santa Catarina, v. 11, n. 1, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/1984-6924.2014v11n1p104. Acesso: 8 maio 2025.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Güinewer Inaê Bueno de Queiroz, Rodrigo Cássio Oliveira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Ao submeter qualquer material científico para Extraprensa, o autor, doravante criador, aceita licenciar seu trabalho dentro das atribuições do Creative Commons, na qual seu trabalho pode ser acessado e citado por outro autor em um eventual trabalho, porém obriga a manutenção de todos os autores que compõem a obra integral, inclusive aqueles que serviram de base para o primeiro.
Toda obra aqui publicada encontra-se titulada sob as seguintes categorias da Licença Creative Commons (by/nc/nd):
- Atribuição (de todos os autores que compõem a obra);
- Uso não comercial em quaisquer hipóteses;
- Proibição de obras derivadas (o trabalho não poderá ser reescrito por terceiros. Apenas textos originais são considerados);
- Distribuição, exibição e cópia ilimitada por qualquer meio, desde que nenhum custo financeiro seja repassado.
Em nenhuma ocasião a licença de Extraprensa poderá ser revertida para outro padrão, exceto uma nova atualização do sistema Creative Commons (a partir da versão 3.0). Em caso de não concordar com esta política de Direito Autoral, o autor não poderá publicar neste espaço o seu trabalho, sob pena de o mesmo ser removido do conteúdo de Extraprensa.