O falar de si e do outro em A solidão da minha pele preta: dança-teatro de Solange Mello
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v38i3p13-32Palavras-chave:
Relatos de si, Escrita de mulheres, Teatro contemporâneo, Dramaturgia londrinenseResumo
A cena teatral contemporânea tem sido ocupada por mulheres atrizes, diretoras, dramaturgas, iluminadoras, cenografistas e sonoplastas, presença feminina que instaura novas perspectivas sobre a sociedade e possibilita a circulação de discursos para além dos patriarcais e brancocêntricos. Solange Mello e seu texto-espetáculo A solidão da minha pele preta ocupam espaço nessa cena teatral e este artigo analisa a potência desse dizer-dançar feminino e negro a fim de a) compreender a dimensão política e poética dos relatos de si, particularmente de mulheres; b) destacar procedimentos formais como a dança-teatro, as escritas de si e o drama rapsódico; e c) sublinhar as facetas íntima e coletiva do preconceito racial. As reflexões propostas pretendem dar visibilidade para a arte produzida por mulheres, especialmente no campo teatral, apontando como, por meio do falar de si, a artista convoca tempos e espaços aos quais a pele negra tem sido relegada.
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