Internet e trabalho de campo antropológico: dois relatos etnográficos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4000/pontourbe.9067

Palavras-chave:

etnografia, metodologia, circuitos, internet, redes sociais

Resumo

Neste artigo, busco problematizar a realização de trabalho de campo antropológico com o auxílio de redes sociais a partir de duas experiências de pesquisa. Embora as duas investigações tenham se desenrolado em campos distintos, ambas foram desenvolvidas online em grande medida. Pretendo, assim, registrar e analisar as experiências de pesquisas de campo costuradas pela utilização de ferramentas digitais, atentando para as potencialidades, impasses e limitações de minhas estratégias de investigação. Travando diálogo com outras pesquisas etnográficas recentes, procuro argumentar, ainda de maneira incipiente, que a categoria circuito, originada no campo dos estudos urbanos, pode ser proveitosamente apropriada por etnógrafos cujas pesquisas não se desenrolam exclusivamente online, mas abrangem o universo digital. Considerando que os estudos antropológicos atravessados pela internet tendem a se ampliar, é propósito deste artigo contribuir para o debate acadêmico em torno dos novos desafios metodológicos neste contexto.

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Biografia do Autor

  • Cristina Marins, Universidade Federal Fluminense

    Doutora pela Universidade Federal Fluminense

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Publicado

2020-12-10

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Seção

Artigos

Como Citar

Marins, C. . (2020). Internet e trabalho de campo antropológico: dois relatos etnográficos. Ponto Urbe, 27, 1-19. https://doi.org/10.4000/pontourbe.9067