"I had to humble myself and cry to get it! To them, it seems like you don't want to see your child": managing presence in incarcerated motherhood

Authors

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2025.239578

Keywords:

Motherhoods, Prision system, Incarcerated women, Health, Presences management

Abstract

Many women who experience the prison system—inmates, survivors of incarceration, or family members—negotiate the presence of their children on a daily basis. In this process, they articulate relationships with various actors: the State; the family, often responsible for the child's custody; and the prison environment's own actors. Motherhood in prison exemplifies how mothering is reconfigured before, during, and after incarceration, exposing fissures in the prison structure that allow for the production of presence. Janete's (interlocutor) story illustrates these rearrangements: by "entering crime," she transfers the care of her daughter to her mother; imprisoned, she faces barriers to maintaining the bond, such as the mother's resistance to taking the girl to see her. Through "elements of co-presence"—such as video calls and visitation room—and (im)possible arrangements, she demonstrates that, despite the prison system's impositions of control, punishment, and surveillance, the articulations made "on the margins" are subversive and powerful.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

  • Milena Novais Oliveira Silva, Universidade de São Paulo

    Doutoranda em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, possui mestrado pela mesma instituição e graduação em Obstetrícia pela EACH-USP. Integra o projeto-rede Cosmopolíticas do Cuidado no fim-do-mundo: gênero, fronteiras e agenciamentos pluriepistemológicos com a saúde pública (FAPESP 2021/06897-9) e a Rede Transnacional de pesquisas sobre Maternidades destituídas, violadas e violentadas. Dedica-se às discussões sobre maternidades afetadas pela violência de Estado, com especial enfoque ao sistema prisional e os tensionamentos dessas experiências para o campo da saúde.

  • José Miguel Nieto Olivar, Universidade de São Paulo

    Professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo vinculado ao Departamento de Saúde e Sociedade, comunicador social, mestre em literatura latino-americana pela Pontificia Universidad Javeriana, Bogotá e doutor em antropologia social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Coordenador do projeto-rede Cosmopolíticas do Cuidado no fim-do-mundo: gênero, fronteiras e agenciamentos pluriepistemológicos com a saúde pública (FAPESP 2021/06897-9) e do Coletivx de Pesquisa em Antropologia, Arte e Saúde Pública (CPaS-1).

References

ANGARITA, Andreina Torres. Drogas, cárcel y género en Ecuador: la experiencia de mujeres mulas. 2008. 135p. Dissertação de mestrado em ciências sociais- Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Quito, 2008. Disponível em: https://repositorio.flacsoandes.edu.ec/bitstream/10469/1281/4/TFLACSO-2008ATA.pdf

BRAGA, A. G.; ANGOTTI, B. Dar à luz na sombra: exercício da maternidade na prisão. São Paulo: Editora Unesp, 2019. Disponível em: https://books.scielo.org/id/6gstt/pdf/braga-9788595463417.pdf

BRAGA, Ana Gabriela Mendes. Entre a soberania da lei e o chão da prisão: a maternidade encarcerada. Revista Direito GV, São Paulo, v. 11, n. 2, p. 523–546, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdgv/a/qHnWZrVyx7xV9DQwr97rdZQ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 jul. 2025. https://doi.org/10.1590/1808‑2432201523

BRASIL. Lei nº 13.769, de 19 de dezembro de 2018. Altera o Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), para dispor sobre a substituição da prisão preventiva pela domiciliar à mulher gestante ou mãe de criança ou de pessoa com deficiência. Brasília: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13769.htm. Acesso em: 18 jul. 2025.

BUMACHAR, Bruna Louzada. Nem dentro, nem fora: a experiência prisional de estrangeiras em São Paulo. 2016. 380 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós‑Graduação em Antropologia Social, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2016. Disponível em: https://oestrangeiro.org/wp-content/uploads/2017/07/tese-bruna-bumachar-final.pdf. Acesso em: 18 jul. 2025.

BUTLER, Jude. Post‑Release Experience of Imprisoned Mothers. Sydney: Australian Institute of Criminology (CRC Report 35/92‑3), 1994. Disponível em: https://www.aic.gov.au/sites/default/files/2020‑05/35‑92‑3.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

CAMPOS, Marcelo da Silveira. Pela metade: as principais implicações da Nova Lei de Drogas no sistema de justiça criminal em São Paulo. 2015. 313 f. Tese (Doutor em Sociologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, out. 2015. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-31072015-151308/publico/2015_MarceloDaSilveiraCampos_VOrig.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

CARNEIRO, Ludmila Gaudad Sardinha. Mulas, olheiras, chefas & outros tipos: heterogeneidade nas dinâmicas de inserção e permanência de mulheres no tráfico de drogas em Brasília‑DF e na Cidade do México. 2015. 412 f., il. Tese (Doutorado em Sociologia) — Instituto de Ciências Sociais, Programa de Pós‑Graduação em Sociologia, Universidade de Brasília, Brasília, maio 2015. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/20023/1/2015_LudmilaGaudadSardinhaCarneiro.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

CUNHA, Manuel Ivone. Entre o bairro e a prisão: tráfico e trajectos. Etnográfica, v. 6, n. 2, p. 315-342, 2002.

FARRELL, Margaret Ann. A comparative policy study of incarcerated mothers and their young children in Queensland, New South Wales, Victoria and England. 1996. Tese (Doutorado em Serviço Social) – The University of Queensland, St Lucia, Austrália, 1996.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. Rio de Janeiro: Graal, [1976] 1999.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

GIBBS, Claudia. Características que diferencian a mujeres recluidas por tráfico de estupefacientes del resto de la población penitenciaria femenina. Revista de Estudios Criminológicos y Penitenciarios, n. 2, p. 41-64, 2001.

GIL, Letícia.; SALES, Letícia.; NOVAIS, Milena. É possível ser mãe aprisionada? Impactos do sistema penal na vida de mulheres‑mães encarceradas. Brasil de Fato, São Paulo, 6 ago. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/rema/2024/08/06/e-possivel-ser-mae-aprisionada-os-impactos-do-sistema-penal-na-vida-mulheres-maes-encarceradas/. Acesso em: 18 jul. 2025.

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-Rio, 2010.

INGOLD, Tim. Being Alive: Essays on Movement, Knowledge and Description. London: Routledge, 2011.

ITTC. Maternidade sem prisão: diagnóstico da aplicação do Marco Legal da Primeira Infância para mulheres em conflito com a lei. São Paulo, 2019. Disponível em: https://ittc.org.br/wp-content/uploads/2019/10/maternidadesemprisao-diagnostico-aplicacao-marco-legal.pdf. Acesso em:1 fev. 2025.

ITTC. Mulheres sem prisão. São Paulo, 2017. Disponível em: https://ittc.org.br/wp-content/uploads/2023/09/MulhereSemPrisao-2017.pdf. Acesso em: 1 fev. 2025.

LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. HOLLANDA, Heloisa (org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco: 206-242, 1994.

MADIANOU, Mirca.; MILLER, Daniel. Migration and New Media: Transnational Families and Polymedia. Londres: Routledge, 2012.

MAHMOOD, Saba; Teoria feminista, agência e sujeito liberatório: algumas reflexões sobre o revivalismo islâmico no Egipto. Etnográfica, v. 10, n. 1: 121-158, 2006.

MALLART, Fábio; ARAÚJO, Fábio. Uma rua na favela e uma janela na cela: precariedades, doenças e mortes dentro e fora dos muros. Revista Sociedade e Estado, [S. l.], v. 36, ed. 1, p. 61-81, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/tRLBQJ6LCM7RXYmRdQkwnjd/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 jan. 2024.

MALLART, Fábio.; RUI, Taniele. Cadeia ping-pong: entre o dentro e o fora das muralhas. Ponto Urbe, v. 21, 2017. Disponível em: https://journals.openedition.org/pontourbe/3620. Acesso em: 02 mar. 2025.

MALLART, Fábio; RUI, Taniele. Por uma etnografia das transversalidades urbanas: entre o mundão e os dispositivos de controle. MELO, Juliana et al (org.). Ensaios sobre justiça, reconhecimento e criminalidade. [S. l.]: ABA, 2016, p. 433-457. Disponível em: https://www.portal.abant.org.br/publicacoes2/livros/EnsaiosSobreJustica.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

MAUSS, Marcel. A expressão obrigatória de sentimentos. Ensaios de Sociologia. São Paulo: Perspectiva: 325-332, 1999 [1921].

OLIVAR, José Miguel Nieto. "O que eu quero para minha filha”: rumos de (in)definição da exploração sexual no Brasil. Mana, Rio de Janeiro, v. 22, n. 2, p. 435–468, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mana/a/SgB9XqgnWyzWvhXGzShdXKC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 25 jul. 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-49442016v22n2p435

OLIVAR, José Miguel Nieto. Performatividades governamentais de fronteira: a produção do Estado e da fronteira por meio de políticas de tráfico de pessoas na Amazônia Brasileira. Ambivalências, [s.l.], n.5, p. 149-182, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/Ambivalencias/article/view/3928/3291. Acesso em: 02 fev. 2025.

PARREÑAS, Rhacel Salazar. Long distance intimacy: class, gender and intergenerational relations between mothers and children in Filipino transnational families. Global Networks, Nottingham, v. 5, n. 4, p. 317–336, 2005. Disponível em: https://globaldecentre.org/wp-content/uploads/2020/07/Rhacel-Parrenas-Long-distance-intimacy.-class-gender-and.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025. DOI: 10.1111/j.1471‑0374.2005.00122.x

PRADO, Hannah Zuquim Aidar. O comércio de drogas ilegais na trajetória de trabalho de mulheres presas na Penitenciária Feminina do DF. 2016. 155 f. Dissertação (Mestrado em Política Social) – Instituto de Ciências Humanas, Programa de Pós‑Graduação em Política Social, Universidade de Brasília, Brasília, 09 mar. 2016. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/20793/1/2016_HannahZuquimAidarPrado.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

RAMOS, Júlia Menezes da Cunha. Maternidade no cárcere: uma análise crítica sobre a prisão domiciliar e o habeas corpus nº 143.641/SP. Revista Acadêmica Escola Superior do Ministério Público do Ceará, Ceará, 2019. Disponível em: https://mpce.mp.br/wp-content/uploads/2019/12/ARTIGO-9.pdf. Acesso em: 01 fev. 2025.

RAMOS, Luciana de Souza. Por amor ou pela dor? Um olhar feminista sobre o encarceramento de mulheres por tráfico de drogas. 2012. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2012. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/13758/1/2012_LucianadeSouzaRamos.pdf. Acesso em: 25 jul. 2025.

SANTOS, Beatriz Oliveira et al. Aleitamento materno exclusivo entre pessoas em situação de cárcere: abordagem interseccional e abolicionista para análise da produção científica no Brasil entre 2000 e 2022. Saúde & Sociedade, São Paulo, v. 33, n. 1, p. 1–21, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/SNHps8NWBQjDkkMF9cJsQBx/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 28 jul. 2025. DOI: 10.1590/S0104-12902024230657en.

SARTI, Cynthia A. A dor, o indivíduo e a cultura. Saúde & Sociedade, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 3–13, jul. 2001. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/yB9JZkG6kXCdc5pTz4SWDFc/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 28 jul. 2025. DOI: 10.1590/S0104‑12902001000100002

SCHUCH, Patrice. Práticas de Justiça: uma etnografia do campo de atenção ao adolescente infrator no Rio Grande do Sul, depois do Estatuto da Criança e do Adolescente (Doutorado em Antropologia Social). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

SISDEPENd. Equipe de Berçário e Creche. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiZWRhMGM2ZTgtY2UwZi00YzY4LThlZjAtODAzNWU2Yzc5YjNiIiwidCI6ImViMDkwNDIwLTQ0NGMtNDNmNy05MWYyLTRiOGRhNmJmZThlMSJ9. Acesso em: 23 fev 2025

SISDEPENc. Espaços Maternos. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiZWRhMGM2ZTgtY2UwZi00YzY4LThlZjAtODAzNWU2Yzc5YjNiIiwidCI6ImViMDkwNDIwLTQ0NGMtNDNmNy05MWYyLTRiOGRhNmJmZThlMSJ9. Acesso em: 23 fev 2025.

SISDEPENb. Filhos no Estabelecimento e Mulheres com Filhos. Power BI, [S. l.]. Disponível em: hhttps://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiZWRhMGM2ZTgtY2UwZi00YzY4LThlZjAtODAzNWU2Yzc5YjNiIiwidCI6ImViMDkwNDIwLTQ0NGMtNDNmNy05MWYyLTRiOGRhNmJmZThlMSJ9. Acesso em: 23 fev. 2025.

SISDEPENa. Maternidade. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiZWRhMGM2ZTgtY2UwZi00YzY4LThlZjAtODAzNWU2Yzc5YjNiIiwidCI6ImViMDkwNDIwLTQ0NGMtNDNmNy05MWYyLTRiOGRhNmJmZThlMSJ9. Acesso em: 22 fev 2025.

Published

2025-12-18

Issue

Section

Artigos

How to Cite

Silva, M. N. O. ., & Olivar, J. M. N. (2025). "I had to humble myself and cry to get it! To them, it seems like you don’t want to see your child": managing presence in incarcerated motherhood. Ponto Urbe, 33(1), e239578. https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2025.239578