Joapytykuéra e mbojoapyva: modos de produçãode lideranças e coletivos entre os Kaiowá (Guarani)
DOI:
https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.215124Palavras-chave:
Lideranças e Coletivos, Kaiowá, Cosmopolítica, Antropologia da Política, GuaraniResumo
Neste artigo pretendemos discutir as transformações das modalidades de liderança entre os Kaiowá. Entendemos como lideranças pessoas que tecem relações e atraem outras pessoas na construção de coletividades. Na língua kaiowá, são chamadas de mbojoapyva. A partir de 1915, com a criação das reservas indígenas no estado de Mato Grosso do Sul, diversas famílias extensas kaiowá foram levadas compulsoriamente para o interior dos postos indígenas criados pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), o que significou um imenso impacto no processo de produção de lideranças. Buscamos compreender aqui a maneira pela qual uma liderança tradicional é produzida por meio de conhecimentos e práticas associadas ao modo de ser dos seus antepassados (teko ymaguare), e descrevemos modalidades e estilos de liderança, que passaram a emergir com as reservas indígenas. As lideranças tradicionais, que mantêm relações de aliança e conflito com novos personagens políticos, emergentes nos contextos atuais das reservas, devem investir nas relações com seus ancestrais, os donos de seus modos de ser (teko jára kuéra), com outros espíritos, assim como com conhecimentos, práticas e poderes dos não indígenas (karai reko kuera).
Downloads
Referências
ALMEIDA, Mauro W. 2008. “A fórmula canônica do mito”. In: QUEIROZ, Ruben C. & NOBRE, Renard F. (orgs.). Lévi-Strauss: leituras brasileiras. Belo Horizonte, Editora UFMG.
AVA ÑOMOANDYJA, Atanásio T. 2021. Cantos dos animais primordiais (Guyra guahy há mymba ka’aguy ayvu). Organização e tradução de Izaque João. São Paulo, Editora Hedra (Coleção Mundo Indígena).
BENITES, Eliel. 2021. Em busca do Teko Araguyje (jeito sagrado de ser) nas retomadas territoriais Guarani e Kaiowá. Dourados, Tese de doutorado, Universidade Federal da Grande Dourados.
BENITES; Eliel & PEREIRA, Levi Marques. 2021. “Os conhecimentos dos guardiões dos modos de ser – teko jará, habitantes de patamares de existência tangíveis e intangíveis e a produção dos coletivos kaiowá e guarani”. Tellus, 21(44): 195-226. http://dx.doi.org/10.20435/tellus.vi44.745.
BRAND, Antonio J. 1998. O impacto da perda da terra sobre a tradição Kaiowá/Guarani: os difíceis caminho da palavra. Porto Alegre, Tese de doutorado, Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
CALAVIA SAÉZ, Oscar. 2002. “A variação mítica como reflexão”. Revista de Antropologia, 45(1): 7-36. https://doi.org/10.1590/S0034-77012002000100001.
CARIAGA, Diógenes E. 2024. “Lições sobre a recusa na Antropologia: Mauro Almeida e a tarefa da descolonização permanente do pensamento an(tropo)lógico”. Cadernos de Campo, 33(1). https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v32i2pe214672.
CARIAGA, Diógenes E. 2019. Relações e diferenças: a ação política kaiowá e suas partes. Florianópolis, Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina.
CARIAGA, Diógenes E. 2017. Cenas do fazer política e modos de (r)existência entre os Kaiowá e Guarani. Mediações – Revista de Ciências Sociais, 22(2): 536-540. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2017v22n2p536.
CARIAGA, Diógenes E. 2012. As transformações nos modos de ser criança entre os Kaiwá em Te’ykue, Caarapó, MS (1950-2010). Dourados, Dissertação de mestrado, Universidade Federal da Grande Dourados.
CHAMORRO, Graciela C. 2009. Yvy Araguyje – Terra Madura. Dourados, Editora UFGD.
CLASTRES, Pierre. 2004. Arqueologia da violência: pesquisas em antropologia política. São Paulo, Cosac Naify.
CLASTRES, Pierre. 2002. A sociedade contra o Estado: pesquisas em antropologia política. São Paulo, Cosac Naify.
CRESPE, Aline C. 2015. Mobilidade e territorialidade kaiowá: do tekoha à reserva, do tekoharã ao tekoha. Dourados, Tese de doutorado, Universidade Federal da Grande Dourados.
GOW, Peter. 2001. An Amazonian Mithy and its History. Oxford, Oxford Press.
KEESE, Lucas. 2021. A esquiva do xondaro. Movimento e ação política Mbyá. São Paulo, Elefante Editora.
LESCANO, Claudemiro. 2016. Tavyterã reko rokyta: os pilares da educação guarani-kaiowá nos processos próprios de ensino e aprendizagem. Campo Grande, Dissertação de mestrado, Universidade Católica Dom Bosco
LÉVI-STRAUSS, Claude. 2006. O cru e o cozido – Mitológicas I. São Paulo, Cosac Naify.
LOLLI, Pedro A. 2012. “O contínuo e o discreto em Lévi-Strauss: transformações ameríndias”. Tellus, 12(22): 81-105.
PERALTA, Anastácio. 2022. Tecnologias espirituais: reza, roça e sustentabilidade entre os Kaiowá e Guarani. Dourados, Dissertação de mestrado, Universidade Federal da Grande Dourados.
SERAGUZA, Lauriene. 2023. As donas do fogo. Política e parentesco nos mundos guarani. São Paulo, Tese de doutorado, Universidade de São Paulo.
SZTUTMAN, Renato. 2013. A potência da recusa: Algumas lições ameríndias. Sala Preta, 13(1): 163-182. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v13i1p163-182.
SZTUTMAN, Renato. 2009. “Ética e Profética nas Mitológicas”. Horizontes Antropológicos, 14(31): 239-319. https://doi.org/10.1590/S0104-71832009000100012.
VALIENTE, Celuniel. 2019. Modos de produção de coletivos kaiowá na situação atual da Reserva de Amambai, MS. Dourados, Dissertação de mestrado, Universidade Federal da Grande Dourados.
VALIENTE, Ezequiel. 2023. Pentecostais indígenas Guarani e Kaiowá na Reserva Amambai – Guapo’y (MS). Dissertação de mestrado, Universidade Federal da Grande Dourados.
VALIENTE, Moniqueli. 2025. Kuña kuera oguata (Trajetórias de mulheres kaiowá). Dourados, Dissertação de mestrado, Universidade Federal da Grande Dourados.
FILMOGRAFIA
MONOCULTURA DA FÉ. 2017. De Joana Moncau, Spensy Pimentel, Gabriela Moncau, Izaque João. São Paulo e Dourados. 23 min.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Revista de Antropologia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista de Antropologia concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
