Aldear, mulherizar e reflorestar a política: reflexões sobre as candidaturas de indígenas mulheres nas eleições de 2022

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.215191

Palavras-chave:

candidaturas indígenas, indígenas mulheres, representatividade, ecologia, ecofecarepresentatividade, ecofeminismo

Resumo

Propomos aqui uma reflexão sobre as candidaturas de indígenas mulheres nas eleições de 2022 e a sua ligação com a pauta ecológica. Partimos de uma discussão sobre a busca de representatividade indígena na política institucional e representativa brasileira como resposta a uma política anti-indígena intensificada no governo Bolsonaro e no tempo da pandemia de covid-19. Analisamos, em seguida, a emergência da Campanha Indígena lançada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em 2022 a partir de mobilizações que se fortaleceram na passagem da década de 2010 para a de 2020, como os Acampamentos Terra Livre e as Marchas das Mulheres. Examinamos dois “chamamentos” que decorrem desta Campanha: “aldear a política e retomar o Brasil” e “reflorestar-mentes em defesa dos corpos-territórios”. Este último revela o papel crucial das mulheres na luta contra a crise ecológica e climática. É nesse sentido que nos perguntamos se o movimento de indígenas mulheres e as candidaturas que daí decorrem podem ser conectados com o chamado ecofeminismo.

 

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Biografia do Autor

  • Renato Sztutman, Universidade de São Paulo

    Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. É mestre (2000) e doutor (2005) em Antropologia Social pela USP, área de etnologia indígena. Realizou pós-doutorado, em 2015, no Departamento de Filosofia da Universidade de Paris Ouest Nanterre. Coordena atualmente o Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP). Foi editor responsável, entre 2013 e 2017, da Revista de Antropologia (Depto. de Antropologia da USP). Foi um dos fundadores e co-editou, entre 1997 e 2007, a revista Sexta-Feira. Dentre suas publicações, destacam-se o livro O profeta e o principal: a ação política ameríndia e seus personagens (Edusp/Fapesp, 2012) e a coletânea Eduardo Viveiros de Castro: entrevistas (Azougue, 2008). Seus principais temas de pesquisa são: cosmopolíticas indígenas, fronteiras entre antropologia e filosofia, antropologia e cinema.

  • Karen Shiratori, University of Coimbra

    Antropóloga e membro do Projeto ECO (Universidade de Coimbra). É doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro e pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) e da Unidade Mista de Investigação “Patrimoines locaux, environnement & globalisation” (PALOC-IRD). As suas áreas de especialização são etnologia indígena com foco em xamanismo, organização política e conhecimentos tradicionais sobre agrobiodiversidade. Trabalha com povos de língua Arawá e Tupi Kagwahiva, no sul do Amazonas, Brasil. Desenvolve também investigação sobre políticas públicas e direitos territoriais voltados a povos indígenas em isolamento. Organizou e foi uma das autoras do livro Vozes vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta (Editora UBU, 2021). Recebeu financiamento do EMKP- British Museum em 2022.

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Publicado

2026-07-28

Edição

Seção

Dossiê Representação e “presentação” política ameríndia vol. 2

Como Citar

Sztutman, R., & Shiratori, K. (2026). Aldear, mulherizar e reflorestar a política: reflexões sobre as candidaturas de indígenas mulheres nas eleições de 2022. Revista De Antropologia, 69, e215191. https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.215191