Curiosidade em ruínas: discurso curatorial e imaginários populares dissidentes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2023.217085

Palavras-chave:

Exposição, Museus, Decolonialidade

Resumo

Este artigo adota como ponto de partida algumas questões fundadoras do campo de estudos dedicado às histórias das exposições. Objetiva-se, a partir de tal repertório teórico-conceitual, refletir sobre dois processos que adquirem relevância diante do lugar privilegiado da cultura nas disputas narrativas contemporâneas: por um lado, propõe uma análise dos esforços institucionais e curatoriais de descolonização dos acervos e das narrativas contadas por meio da exposição de importantes coleções; por outro, reconhece a diversidade de regimes escópicos que marcam o contexto latino-americano contemporâneo, instaurando uma zona de indeterminação e constante negociação entre o projeto colonial e científico de museu e imaginários populares dissidentes.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Icaro Ferraz Vidal Junior, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Graduado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em "Crossways in European Humanities" pelas Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Santiago de Compostela e University of Sheffield, doutor em História, História da Arte e Arqueologia pelas Université de Perpignan Via Domitia e Università degli studi di Bergamo e em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (2017-2018). Atualmente é bolsista de pós-doutorado PNPD-Capes no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É pesquisador do Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC/PUC-SP), do JUVENÁLIA - Culturas juvenis: comunicação, imagem, política e consumo (ESPM-SP) e do MediaLab.UFRJ.

  • Mauricio de Bragança, Universidade Federal Fluminense

    Professor associado da Universidade Federal Fluminense, no Departamento de Cinema e Video e na Pós-graduação em Cinema e Audiovisual.

Referências

AINSA, F. De la Edad de Oro al El Dorado: génesis del discurso utópico americano. México: FCE, 1998.

BAUDRY, J-L. Cinema: efeitos ideológicos produzidos pelo aparelho de base. In: XAVIER, I. (Org.). A experiência do cinema: antologia. Rio de Janeiro: Graal: Embrafilmes, 1983. p. 383-399.

BELTING, H. O fim da história da arte. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BIRNBAUM, D.; WALLENSTEIN, S-O. Spacing Philosophy: Lyotard and the Idea of the Exhibiton. Berlim: Sternberg Press, 2019.

BRUNO, F. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2013.

CINTRÃO, R. As montagens de exposições de arte: dos Salões de Paris ao MoMA. In: RAMOS, A. D. (Org.). Sobre o ofício do curador. Porto Alegre: Zouk, 2010. p. 15-41.

COLETTA, R. D.; SALDAÑA, P. Governo quer transformar Museu Nacional em Palácio Imperial. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 mar. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/03/governo-quer-transformar-museu-nacional-em-palacio-imperial-e-deixar-acervo-fora.shtml. Acesso em: 13 out. 2023.

DANTO, A. C. Após o fim da arte: a arte contemporânea e os limites da história. São Paulo: Odysseus, 2006.

FERRAZ, M. C. F. Contribuições do pensamento de Michel Foucault para comunicação. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 69-83, 2005. DOI: 10.1590/rbcc.v28i2.383.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

JAY, M. Scopic Regimes of Modernity. In: FOSTER, H. (Ed.). Vision & Visuality. Seattle: Bay Press, 1988. p. 3-27.

LIMA, A. C.; CHIOVATTO, M. M. (Coords.). Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2011.

O’DOHERTY, B. Inside the White Cube: L’ideologia dello spazio espositivo. Monza: Johan & Levi, 2012.

PEDROSA, A.; PROENÇA, L. Concreto e cristal: o acervo do Masp nos cavaletes de Lina Bo Bardi. Rio de Janeiro: Cobogó; São Paulo: Masp, 2015.

PICCOLI, V. (Coord.). Pinacoteca: acervo – guia de visitação. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2020.

POSSAS, H. C. G. Classificar e ordenar: os gabinetes de curiosidades e a história natural. In: FIGUEIREDO, B. G.; VIDAL, D. G. (Orgs.). Museus: dos gabinetes de curiosidades à museologia moderna. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013. p. 159-170.

RANCIÈRE, J. The Emancipated Spectator. Nova York: Verso, 2009.

RANCIÈRE, J. Dissensus: On Politics and Aesthetics. Nova York: Continuum, 2010.

SANDBERG, M. B. Efígie e narrativa: examinando o museu de folclore do século XIX. In: CHARNEY, L.; SCHWARTZ, V. R. (Orgs.). O cinema e a invenção da vida moderna. São Paulo: Cosac Naify, 2004. p. 361-404.

SCHWARCZ, L. K. M. A “Era dos Museus de Etnografia” no Brasil: o Museu Paulista, o Museu Nacional e o Museu Paraense em finais do século XIX. In: FIGUEIREDO, B. G.; VIDAL, D. G. (Orgs.). Museus: dos gabinetes de curiosidades à museologia moderna. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013. p. 119-143.

TUCHERMAN, I. Breve história do corpo e de seus monstros. Lisboa: Vega, 1999.

VIDAL JUNIOR, I. F. Corpo, percepção e valor no pensamento curatorial contemporâneo. Novos Olhares, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 76-87, 2019. DOI: 10.11606/issn.2238-7714.no.2019.162026.

VOLZ, J.; PICCOLI, V. (Orgs.). Grada Kilomba: desobediências poéticas. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2019.

Downloads

Publicado

2023-12-29

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

Curiosidade em ruínas: discurso curatorial e imaginários populares dissidentes. RuMoRes, [S. l.], v. 17, n. 34, p. 182–200, 2023. DOI: 10.11606/issn.1982-677X.rum.2023.217085. Disponível em: https://revistas.usp.br/Rumores/article/view/217085.. Acesso em: 28 maio. 2024.