A primeira deepfake eleitoral no Brasil: análise dos modos de endereçamento do simulacro do “Jornal Nacional"
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-1507.v33i1p9-21Palabras clave:
Desinformação, Telejornalismo, Jornal Nacional, Deepfake, Eleições 2022Resumen
Este artigo analisa a primeira deepfake eleitoral amplamente documentada no Brasil, veiculada durante a campanha presidencial de 2022. A peça, disseminada em redes sociais e aplicativos de mensagens, simulava a apresentação de uma pesquisa do Ipec no Jornal Nacional, atribuindo à apresentadora Renata Vasconcellos resultados falsos que invertiam a ordem real das intenções de voto. Com base na metodologia de análise de produtos midiáticos de Gomes (2012), que integra dimensões técnico-formal, narrativa e discursiva, identificam-se os recursos estéticos, gráficos e performáticos mobilizados para conferir verossimilhança e autoridade ao conteúdo manipulado. A apropriação do formato e do modo de endereçamento do telejornal cria um simulacro convincente, reforçado por sincronização labial, manipulação vocal e fidelidade à identidade visual, operando como dispositivo estratégico de desinformação e revelando riscos à integridade do debate público e do processo democrático.
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