O ensino da solidão: os “métodos selvagens” do professor Foucault
DOI:
https://doi.org/10.1590/S1678-4634202450281677porPalabras clave:
Michel Foucault, Collège de France, Ofício docente, Problematização, métodoResumen
Esse ensaio pretende recuperar a compreensão foucaultiana acerca do ofício docente, bem como sua influência nas metodologias de trabalho adotadas por Michel Foucault em suas aulas. Para tanto, procederemos com a análise de algumas intervenções do pensador francês nos cursos ministrados por ele no Collège de France, mormente os momentos nos quais expressava seu desconforto com certos ritos institucionais que impediam um diálogo efetivo com seu público, afora comentários esparsos sobre o ofício docente em entrevistas concedidas nas décadas de 1970 e 1980, nas quais Foucault não apenas expunha o seu descontentamento com a concepção educacional francesa como apresentava um esboço daquilo que acreditava ser a função de um professor. Se, para Foucault, competia ao professor promover um tensionamento de nossos modos de pensar e agir, recuperar esses registros possibilitar-nos-ia apreender como essa compreensão modulou a sua própria performance docente. Uma performance marcada pela adoção de “métodos selvagens” de trabalho, ou seja, pequenos mudanças na estruturação de seus cursos voltadas para a produção de um tempo qualitativamente diferente, o tempo da problematização. Um tempo voltado contra o tempo presente e a favor de um porvir, um tempo cuja paga é única e exclusivamente a solidão e o silêncio.
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Referencias
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