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Khronos – Revista de História da Ciência (Khronos – Journal of the History of Science) is a biannual publication of the CHC – Interunit Centre for the History of Science at the University of São Paulo (founded in 1988) – focused on the history and epistemology of the natural sciences, life sciences, human sciences, technical sciences and related areas. The perspective is interdisciplinary and aims to stimulate interpretative possibilities of scientific and technical knowledge processes in their historical contexts. It publishes original research findings on topics ranging from Antiquity to the 21st century. In addition to these, it welcomes texts from scientists or institutions, as well as unpublished translations, reviews, news of research projects and other topics of interest to historians.

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DOSSIER SOBRE SOCIOBIOLOGIA: REVISITANDO O DEBATE

2026-07-17

CHAMADA DE ARTIGOS

Organização de dossier: Prof. Dra Sara Albieri (USP/IEA)  e Prof. Dra. Marta Nunes da Costa (UFMS/IEA)

 

Em 1975, Edward Wilson publicou Sociobiology: The New Synthesis. Nesta obra, Wilson estabelece a sociobiologia como um campo de estudo que busca explicar o comportamento social de animais, inclusive dos seres humanos, a partir de uma perspectiva evolutiva e biológica. Tendo como pressuposto metodológico uma atitude interdisciplinar, que busca articular conhecimentos de diversas áreas, nomeadamente, ecologia, genética evolutiva, etologia, e antropologia, Wilson procura construir uma visão abrangente de como os comportamentos sociais podem ser entendidos como produtos da evolução. Esta tese, embora inovadora, foi recebida com várias críticas, tornando-se alvo de polêmica, não só entre seus colegas mais próximos - biólogos e professores de Harvard - mas entre a comunidade científica em geral. Com efeito, a pesquisa de Wilson conduzira à tese de que os comportamentos humanos - como o altruísmo, a agressão e os papéis de gênero - poderiam ser remetidos a fundamentos biológicos. Muitos viam com reticências a posição de Wilson, já que a direção da pesquisa parecia conduzir, inevitavelmente, a um determinismo biológico com impacto social e cultural. Dito por outras palavras, aceitar que a biologia condiciona os comportamentos humanos significa colocar em segundo plano (e potencialmente, até mesmo suspender) o poder da transformação social, cultural e política. Mas até que ponto as posições científicas não são, elas mesmas, fruto e expressões de compromissos ideológicos anteriores? De que forma as ideologias políticas interferem e condicionam o processo de construção de conhecimento científico e, em última análise, o processo de construção do conceito de “ciência”? 

 

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