Poética da expropriação, um esforço conceitual

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.v25.n2.2025.217901

Palavras-chave:

poética, expropriação, território, povos indígenas, representação

Resumo

O texto esforça-se em conceituar a "poética da expropriação" como um processo presente na literatura e na imagem que despoja as identidades indígenas, ao mesmo tempo que legitima uma narrativa de expropriação territorial. O trabalho investiga a dualidade do conceito de território, destacando seu papel no projeto colonial, bem como aponta para as resistências territoriais informadas por essa noção. Apoiado pela noção de "poética do genocídio" de Antônio Paulo Graça, o texto busca apontar como essas poéticas perpetuam a violência simbólica sofrida pelos povos indígenas ao reivindicarem suas identidades e territórios usurpados pelas narrativas dominantes.

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Biografia do Autor

  • Ellen Lima Wassu, Universidade do Minho. Centro de Estudos Humanísticos

    Bicho, rio, árvore, raiz e semente. Também é gente humana, escritora e doutoranda em Modernidades Comparadas pelo Centro de Estudos Humanísticos pela Universidade do Minho (CEHUM). Publicou em 2021 ixé ygara voltando pra y’kûá (Urutau) e yby kûatiara um livro de terra, 2023 (Urutau). Integra, entre revistas literárias e outras coletâneas, a obra Volta pra tua terra, uma antologia de poetas antifascistas e antirracistas em Portugal. Sua prática relaciona arte, poesia, ativismo, crítica, escritas ensaísticas, estudos contra-coloniais, bons encontros, banho de rio e conversa com flores.  

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Publicado

28-04-2025

Edição

Seção

Dossiê 46: Literatura de Mulheres: Memórias, Periferias e Resistências no Espaço

Como Citar

WASSU, Ellen Lima. Poética da expropriação, um esforço conceitual. Via Atlântica, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 92–110, 2025. DOI: 10.11606/va.v25.n2.2025.217901. Disponível em: https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/217901. Acesso em: 22 maio. 2026.