Promoção de políticas de purismo linguístico em contextos de diversidade cultural
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-8837e241231Palabras clave:
políticas linguísticas, purismo linguístico, identidade cultural, exclusão simbólica, glotopolíticaResumen
Este artigo investiga como políticas linguísticas de orientação purista operam como tecnologias simbólicas de exclusão cultural em contextos marcados pela diversidade. A partir de uma abordagem qualitativa e analítico-interpretativa, ancorada na linguística aplicada crítica e na glotopolítica (Spolsky, 2016; Guespin e Marcellesi, 2021), discute-se o modo como certas variedades linguísticas são promovidas como legítimas em nome da coesão nacional, enquanto outras são silenciadas ou deslegitimadas. O referencial teórico articula contribuições de autores como Haugen (1966), Calvet (2007), Pinto (2018), Silva e Alves (2025) e Galli e Lagares (2024), entre outros, permitindo uma análise crítica de quatro estudos de caso: o planejamento linguístico na Noruega e na Alemanha e duas legislações brasileiras recentes (o Projeto de Lei nº 211/2021 e a Lei Municipal nº 3843/2024). Os resultados indicam que, embora frequentemente justificadas como medidas de valorização da língua, essas políticas tendem a reforçar normas hegemônicas e a produzir exclusões simbólicas de sujeitos cujas práticas linguísticas divergem da variedade padronizada. Conclui-se pela necessidade de políticas linguísticas inclusivas, que reconheçam a pluralidade como valor e condição para a justiça social e cultural.
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