Sobre a Revista

A Revista Via Atlântica, publicação do Programa de Pós-Graduação de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo, tem por objetivo levar aos estudiosos, do Brasil e do Exterior, resultados de investigações desenvolvidas por especialistas nas áreas de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, Literatura Comparada, Literatura Infantil e Juvenil, Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e de outras literaturas e culturas que se expressam em português. Faz parte ainda do escopo da Via Atlântica a publicação de artigos que tratem das relações interdisciplinares da Literatura com outras Linguagens e com outras Formas do Saber. A publicação abrange, além de um Dossiê temático, outros trabalhos inéditos sob a forma de Ensaios, Artigos, Entrevistas e Resenhas de livros de interesse para os Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e áreas correlatas. A revista Via Atlântica está inserida na área temática de Outras Literaturas Vernáculas, conforme tabela de áreas do conhecimento do CNPq (8.02.07.00-6).

Notícias

Chamada para publicação: "Literatura infantil e juvenil: leituras contemporâneas"

2025-12-01

Proposta

Por se tratar de objeto de alta complexidade artística, “a literatura infantil e juvenil, como obra de Arte, implica o concurso de vários campos interdisciplinares” (Abdala Jr., 2014, p. 13). Entende-se, de partida, que a obra de arte de qualidade — pensada ou não tendo a criança e o jovem como destinatários prediletos — ancora-se não apenas na esfera da estética, mas também na esfera da ética, engendrando, pela língua — esta invariavelmente atravessada por discursos não isentos de ingerências de ordens sociais, históricas, culturais e políticas — e por recursos de diferentes linguagens, um objeto composto de experiências humanas que promove relações dialógicas ancoradas no discurso ficcional. Recorre-se, neste ponto, à ideia de Helena Carvalhão Buescu (1998, p. 25), de que um texto nunca é “autogerado”: ele sempre parte de um ser social, cultural e historicamente inscrito para outro, carregando consigo, de forma mais ou menos explícita, resquícios de consciências de mundo que lhe são próprias e podem ou não encontrar ressonância em leitores inscritos em outros sistemas.

A literatura infantil e juvenil — o que se expande à noção geral de Literatura enquanto Arte — afeta de maneiras profundas a divulgação de valores culturais que dinamizam uma sociedade ou uma civilização. Benjamin Abdala Jr. (2012) endossa tal posicionamento e é sintomático ao sugerir que é preciso “assumir atitudes mais ativas e prepositivas para criar ou desenhar, com matização mais forte”, tendências que embalam a noção de devir encapsulada na juventude (a infância como “sociedade em crisálida”, tal como proposto por Florestan Fernandes), apontando para a necessidade de uma literatura infantil e juvenil ao mesmo tempo “lúdica e lúcida”, engajada na gestação de novos paradigmas, os quais se engendram e se espraiam com muito mais alcance nesse gênero literário.

Numa perspectiva comparatista que considera as contribuições de diferentes campos do saber a fim de pilarizar reflexões mais profundas acerca das experiências de infância e juventude na arte literária, “o diálogo se inicia na obra e a ela retorna, após uma longa cadeia de associações com outros saberes e, nessa viagem, a pluralidade do leitor vai sendo construída, seja porque busca outros textos para esse diálogo, seja porque aprende a importância do próprio diálogo” (Gregorin Filho, 2014, p. 259).

Maria dos Prazeres Mendes (1994) afirma, que é necessário, antes de tudo, compreender a natureza da “boa literatura (sem adjetivações), repropondo a qualidade estética como dado de fruição”, visto que “almejar a criança é, ao final, desejar a fruição de uma mente que considera a criatividade e a imaginação como desígnios da Arte, as quais acabamos por perder ao longo de nosso aprendizado cartesiano”. Ao fim e ao cabo, trata-se do reconhecimento de que uma literatura que se pretenda destinada à infância exige “o trânsito entre o sensível, o inteligível, o imaginativo e a ação” para o desenvolvimento da criticidade e das novas consciências, tal como alega Maria Zilda da Cunha (2009, p. 19).

Neste sentido, este dossiê da revista Via Atlântica convida à submissão de trabalhos que evidenciem a complexidade estética, ética e política da literatura para crianças e jovens na contemporaneidade, colocando o livro infantil e juvenil em perspectiva que acentue tanto o diálogo e os trânsitos com outras áreas do saber (teoria literária, pedagogia, sociologia, filosofia, história, design) quanto a sua inserção no contexto mais ampliado e comparatista das práticas literárias e artísticas produzidas nos países de língua portuguesa.

 

Eixos temáticos sugeridos:

  1. Figurações da personagem criança em livros ilustrados contemporâneos;
  2. Diálogos interartes no livro contemporâneo de recepção infantil e juvenil;
  3. Questões sociais e temas fraturantes na literatura infantil e juvenil contemporânea;
  4. Autoria e representatividade feminina, negra, indígena, LGBTQIAPN+ e de corpos dissidentes na literatura infantil e juvenil contemporânea;
  5. A literatura infantil e juvenil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa;
  6. Literatura infantil e juvenil contemporânea e os novos suportes midiáticos.

 

Organização

Diana Navas (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil); Francisco Camêlo (Universidade de São Paulo, Brasil); Lígia Regina Máximo Cavalari Menna (Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil); Paulo César Ribeiro Filho (Universidade de São Paulo, Brasil).

 

Referências

ABDALA JR, Benjamin. (Org.). Estudos Comparados: Teoria, Crítica e Metodologia. Cotia–SP: Ateliê Editorial, 2014.

BUESCU, Helena Carvalhão. Em busca do autor perdido: histórias, concepções, teorias. Lisboa: Edições Cosmos, 1998.

CUNHA, Maria Zilda da. Na tessitura dos signos contemporâneos: Novos olhares para a Literatura Infantil e Juvenil. São Paulo: Humanitas/Paulinas, 2009.

FERNANDES, Florestan. Folclore de mudança social na cidade de São Paulo. Petrópolis: Vozes, 1979.

GREGORIN FILHO, José Nicolau. “Sobre a necessidade de um olhar comparatista para a literatura infantil/juvenil”. In: ABDALLA JR., Benjamin (Org.). Estudos Comparados: Teoria, Crítica e Metodologia. Cotia–SP: Ateliê Editorial, 2014

MENDES, Maria dos Prazeres. Monteiro Lobato, Clarice Lispector, Lygia Bojunga Nunes: o estético em diálogo na literatura infanto-juvenil. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) — PUC, São Paulo, 1994.

  • Submissões a partir de 1º de dezembro de 2025.
  • Data limite para as submissões: 30 de maio de 2026.
  • Previsão de publicação: outubro de 2027.

SEÇÃO OUTROS TEXTOS

Via Atlântica convida pesquisadores interessados a publicarem artigos e ensaios cuja temática não esteja necessariamente vinculada ao tema do dossiê nesta seção. A seção Outros Textos recebe manuscritos em fluxo contínuo.

  • PROCEDIMENTO PARA A SUBMISSÃO DE TEXTOS

Todos os manuscritos devem ser submetidos utilizando a plataforma OJS da revista. Os Autores devem se registar como usuários da revista e, assim, submeterem seus manuscritos. Manuscritos que não forem submetidos pela plataforma indicada e que não estejam em acordo com as normas de apresentação serão desconsiderados.

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Edição Atual

v. 26 n. 2 (2025): Angola - acervo, memória e literatura
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As fontes de informação em literatura constituem referências significativas sobre o que está registrado sob a forma do livro em papel ou no mundo virtual, possibilitando que a partir delas se possa historicizar, compreender ou mesmo reinventar o objeto literário.

Ao contemplar uma larga gama de disciplinas, que abrangem desde a Crítica Genética até a História Literária, o trabalho com documentação no campo literário abre numerosas veredas/disciplinas que abrangem desde a Crítica Genética enquanto ela permite elaborar uma leitura da obra não a partir do produto divulgado — a publicação do livro —, mas também dos processos de escrita, com seus rascunhos e versões, favorecendo a subversão de noções como as de progresso, originalidade ou mesmo a revisão de biografias. Da mesma forma, o estudo de acervos literários e da correspondência entre autores e/ou críticos propicia que se tracem as redes de sociabilidade no campo literário, assim como os caminhos de processos de criação e da expressão autobiográfica.

Um olhar sobre a área das Literaturas Africanas, especialmente na literatura angolana, revela-nos que, a despeito esses múltiplos caminhos de trabalho, têm sido escassas as pesquisas com base em fontes primárias, certamente por existirem poucos documentos à disposição dos pesquisadores, seja em razão das adversidades históricas, seja por os documentos estarem em mãos de particulares. Abrir espaço para trabalhos que tenham conseguido romper essa limitação é o sentido do dossiê “Angola: acervo, memória e literatura”.

Publicado: 2025-12-24

Edição completa

  • Angola — acervo, memória e literatura

    5
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.235694

Dossiê 47: Angola: acervo, memória e literatura

  • Arquivo Histórico Ultramarino

    Carlos Almeida
    8
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.232619
  • A Associação Tchiweka de Documentação, uma história de paixão arquivista e de consciência memorial

    Jean-Michel Mabeko-Tali
    6
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.232654
  • A morte de Agostinho Neto nos jornais portugueses

    Francisco Topa
    6
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.233451
  • Imbondeiro: apontamentos para uma história editorial a partir da Colecção Imbondeiro

    Noemi Alfieri
    18
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.227733
  • “Meu caro Castro”. Algumas considerações sobre intelectuais na luta anticolonial a partir da correspondência entre Mário Pinto de Andrade e Castro Soromenho

    Elisa Scaraggi
    16
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.224544
  • "Meu caro Salim": a mediação cultural de Salim Miguel no contato com intelectuais de língua portuguesa na África (década de 1950)

    Gustavo Debastiani, Ricardo Machado
    16
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.226244
  • Angolas entre literatura, história e memória: uma leitura de Luanda em Se o passado não tivesse asas, de Pepetela

    Maria do Socorro Nascimento da Costa, Claudia Leticia Gonçalves Moraes, Cristiane Navarrete Tolomei
    22
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.223577
  • Memória e intertextualidade no pós-colonialismo: uma leitura de Nós Chorámos pelo Cão Tinhoso

    Dapeng Sang
    14
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222874
  • O reexame da parte da História angolana no romance Estação das Chuvas

    Carmolino Cá, Abulai Balde
    17
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.223568
  • Identidades em fluxo: novas representações da africanidade no romance Também Os Brancos Sabem Dançar, de Kalaf Epalanga

    Marcelo Brandão Mattos
    16
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222884
  • Movimentos literários e os desafios a escritores na Angola contemporânea: as velhas-novas fronteiras de asfalto

    Adriana Cristina Aguiar Rodrigues
    16
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.223512
  • Da afirmação da angolanidade ao realismo animista em Pepetela

    Dra. Providence Bampoky
    16
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222723
  • Ritos de passagem: cerimônia, alquimia e iniciação pelas etapas da vida em Ana Paula Tavares

    Rodrigo Felipe Veloso
    19
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.224664
  • Os estudos pós-coloniais e a representação do feminino na literatura nigeriana: um olhar sobre As Alegrias da Maternidade, de Buchi Emecheta

    Carla Laís Gomes, Ariele Mochiute de Sousa, Carla Regina Pedroso, Claudia Fernanda de Campos Mauro
    13
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.220825

Outros Textos

  • Crioulidade e outros equívocos: Notas sobre a recepção de Nga Mutúri

    Eugenio Lucotti
    18
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.234373
  • Metaficção e metanarração no romance O Grifo de Abdera, de Lourenço Mutarelli

    Guilherme Mariano Martins da Silva, Edson Soares Martins, Leonardo Brandão de Oliveira Amaral
    15
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.229354
  • As Naus, de António Lobo Antunes: Camões épico depois do fim do Império

    Rogério Max Canedo, Edvaldo Bergamo
    18
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.230207
  • O Primordial Projeto no Conto O Silêncio de Sophia de Mello Breyner Andresen

    Fabiana Miraz de Freitas Grecco
    14
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.i2.216423
  • Viver e morrer, gerar e matar: entrelaçando gênero, classe e raça em “Quantos filhos natalina teve?”, de Conceição Evaristo

    Amanda Nunes do Amaral
    13
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.i1.206928
  • Protagonismo feminino negro e escrevivência na obra Vermelho, de Maria Tereza

    Patrícia Barros Soares Batista, Maria Carolina da Silva Caldeira
    24
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.i2.209026

Resenhas

  • A água é uma máquina do tempo

    Felippe Oliveira Nildo
    6
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222608
  • Agora agora

    Naiara Barrozo
    3
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.222979
  • Tradição, modernidade e modernismo na lírica portuguesa. Rupturas e desdobramentos: reverberações críticas da Semana de Arte Moderna

    Jacob dos Santos Biziak
    6
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.230981
  • Trabalho cultural e Literaturas-Mundo contemporâneas em português

    Luca Fazzini
    7
    DOI: https://doi.org/10.11606/va.v26.n2.2025.241814
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